EUA e União Europeia rebatem fala de Lula sobre guerra; Casa Branca vê repetição de propaganda russa

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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Os Estados Unidos e a União Europeia rebateram as recentes declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a guerra na Ucrânia – durante viagem à China e aos Emirados Árabes Unidos, o petista disse que a responsabilidade pela invasão russa é tanto de Moscou quanto de Kiev e afirmou que os norte-americanos incentivam o conflito.

Nesta segunda-feira, 17, o porta-voz de segurança nacional na presidência americana, John Kirby, fez duras críticas a postura de Lula, sem citar o nome do presidente brasileiro. Para ele, a posição adotada pelo Brasil com relação à guerra na Ucrânia é “profundamente problemática” e “equivocada”, na visão da Casa Branca. Kirby também acusou o Brasil de repetir propaganda da Rússia e da China.

“Nós acreditamos que é profundamente problemático como o Brasil abordou de forma substancial e retórica esta questão, sugerindo que os Estados Unidos e a Europa de alguma forma não estão interessados na paz ou que compartilhamos a responsabilidade pela guerra”, disse Kirby. “Francamente, nesse caso, o Brasil está repetindo propaganda russa e chinesa sem olhar para os fatos”, afirmou.

A União Europeia também reagiu às declarações de Lula e negou contribuir para prolongamento da guerra na Ucrânia. Em coletiva de imprensa, o porta-voz da Comissão Europeia, Peter Stano, negou que as ações do bloco tenham alimentado o conflito e enfatizou que a Rússia é a agressora neste caso. “O que estamos fazendo é ajudar a Ucrânia a exercer seu direito legítimo de autodefesa”, afirmou.

Stano lembrou que o Brasil votou a favor da resolução que condena a decisão de Moscou de invadir o país vizinho e determina que o Kremlin retire todas as tropas do território ucraniano. “Não é verdade que os EUA e a UE estejam ajudando a prolongar o conflito. A verdade é que a Ucrânia é vítima de uma agressão ilegal que viola a Carta das Nações Unidas”, rebateu.

A guerra na Ucrânia começou em 24 de fevereiro de 2022, quando bombas foram lançadas contra alvos militares na capital Kiev, em Kharkiv e outras cidades no centro e no leste do país pela Rússia. A ordem para o início da ação foi dada pelo presidente russo, Vladimir Putin. em represália a uma suposta aproximação da Ucrânia com os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Em viagem aos Emirados Árabes Unidos, Lula voltou a criticar o presidente ucraniano, Volodmir Zelenski, e propôs a criação de um fórum semelhante ao G20 que busque uma solução pacífica no leste europeu.

Em resposta, o porta-voz da Comissão Europeia argumentou que a União Europeia apoia iniciativas de paz desde antes da invasão russa. Stano alega que o bloco ofereceu ao Kremlin diversas oportunidades para apresentar suas preocupações “de maneira civilizada”. Segundo ele, todas as alternativas foram respondidas com uma escalada das hostilidades pelo presidente russo, Vladimir Putin.

Neste fim de semana, Lula voltou a afirmar que a responsabilidade pela invasão russa na Ucrânia é tanto de Moscou quanto de Kiev. “A decisão da guerra foi tomada por dois países”, disse em entrevista antes de deixar os Emirados Árabes. Ao defender sua ideia de criar um clube de paz para negociar com Rússia e Ucrânia, ele também criticou a posição dos Estados Unidos e da União Europeia, sugerindo que europeus e americanos prolongam o conflito. “O presidente Putin não toma iniciativa de parar, o Zelenski não toma iniciativa de parar, e Europa e Estados Unidos terminam dando uma contribuição para a continuidade dessa guerra”, afirmou Lula.

Durante a visita à China, o presidente brasileiro chegou a dizer que EUA incentivam a guerra e novamente colocou em posição de equivalência os mandatários da Rússia, Vladimir Putin, e da Ucrânia, Volodymyr Zelenski. “É preciso que os Estados Unidos parem de incentivar a guerra e comecem a falar em paz. É preciso que a União Europeia comece a falar em paz pra que a gente possa convencer o Putin e o Zelenski de que a paz interessa a todo mundo e a guerra só tá interessando, por enquanto, aos dois”, afirmou o presidente brasileiro, na passagem por Pequim.

A comunidade internacional condenou a invasão da Ucrânia pela Rússia, que teve início com bombardeios ordenados por Moscou contra alvos militares ucranianos. Na Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil condenou também a invasão russa à nação vizinha, mas Lula tem relativizado o conflito em declarações recentes. Nesta segunda-feira, o chanceler da Rússia, Sergei Lavrov, visitou Brasília e disse que Brasil e Rússia têm visões coincidentes sobre a guerra da Ucrânia.

O porta-voz americano afirmou que os EUA querem o fim da guerra e apoiam os apelos de Zelenski pela paz. Isso poderia acontecer imediatamente, disse Kirby, se Putin parasse de atacar.

Agência Estado

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