Escassez profissional afeta a construção civil! Como minimizar esse gargalo?

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*Nicolaos Theodorakis é fundador e CEO da Noah, startup que oferece soluções tecnológicas para a construção civil com estruturas em madeira. Empreendedor do Mercado Imobiliário e Financeiro há 10 anos com foco no mercado residencial de alto padrão, tem experiência de mais de 11 anos na área de Investment Banking.
*Nicolaos Theodorakis é fundador e CEO da Noah, startup que oferece soluções tecnológicas para a construção civil com estruturas em madeira. Empreendedor do Mercado Imobiliário e Financeiro há 10 anos com foco no mercado residencial de alto padrão, tem experiência de mais de 11 anos na área de Investment Banking. Foto: Divulgação

Por Nicolaos Theodorakis

Há algum tempo o setor de construção civil, um dos segmentos mais importantes para a economia, tem colocado em debate a escassez de mão de obra qualificada no canteiro de obras. Afinal, de acordo com um levantamento da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), aproximadamente, 90% das empresas pesquisadas em 2022 veem gargalos no recrutamento, contra 77% mapeadas em 2021.

Inclusive, ainda segundo o estudo, as áreas de maior escassez profissional são: pedreiros (82%) e carpinteiros (78,7%), bem como de gestão de obra – mestre (74,7%) e encarregado (70%). Mas, afinal, quais são as principais causas dessa carência? Basicamente, falta de investimentos na capacitação profissional, desvalorização dos colaboradores e, sobretudo, baixo interesse dos jovens por oportunidades de carreira no setor.

Embora a pandemia da Covid-19 tenha sido um agravante desta situação, os avanços tecnológicos há anos também são vistos como um dos principais motivos para essa escassez profissional. Não à toa, devido às soluções mais avançadas e ágeis, a demanda pela capacitação cresce cada vez mais, ao passo que os próprios colaboradores não possuem condições para acompanhar o mercado na mesma velocidade que as tecnologias surgem ou se desenvolvem.

Além disso, é notável que a construção civil foi um dos setores que mais precisou se reestruturar a partir da chegada da pandemia no Brasil. Por meio da aceleração de processos tecnológicos, tanto a construção civil como o mercado imobiliário se viram obrigados a desenvolver novas soluções e sistemas construtivos, capazes de otimizar com agilidade e sustentabilidade os empreendimentos.

Diante deste cenário, a demanda por mão de obra qualificada ficou ainda maior e, consequentemente, vem interferindo inclusive no desempenho das obras. E como diminuir esse gargalo? Investindo na capacitação dos profissionais, a partir de cursos e programas de integração que garantem um trabalho correto e com segurança.

Afinal, embora haja uma alta rotatividade de mão de obra no setor, é necessário pensar a longo prazo, uma vez que esses profissionais demandam capacitação para serem valorizados e reconhecidos. Ademais, a industrialização da construção civil vem transformando o canteiro de obras em uma linha de montagem, a fim de escalar a produção e, ao mesmo tempo, ter um controle de qualidade mais preciso do que está sendo feito, a exemplo da madeira engenheirada.

Nesse sentido, as construções offsite que são desenvolvidas e pré-fabricadas fora do canteiro de obras, demandam um investimento alto em capacitação e atualização profissional, principalmente diante das inovações existentes no setor. Investir na industrialização da construção civil, bem como na capacitação dos colaboradores, traz inúmeros benefícios, como zero retrabalho, redução de custos e desperdícios, minimização dos acidentes e até mesmo atendimentos pós-obra.

Portanto, é fundamental valorizar os trabalhadores que já atuam na construção civil, oferecendo oportunidades de crescimento, ou mapeando novas formas de estimular os mais jovens a ingressarem nesta carreira. O universo da construção será industrial nos próximos cinco ou dez anos, por isso, quem não se adaptar a esse movimento, logo perderá espaço.

 

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