O grupo Hapvida, a maior operadora de saúde do Brasil, deu início aos preparativos para um dos maiores saltos desde que passou a ser listada na B3, em abril de 2018. A empresa fechou contrato com a Riza Asset, a gestora de fundos com forte atuação no agronegócio, para a construção de dois novos hospitais, um em área nobre de São Paulo e outro (um retrofit de imóvel que era usado em outro segmento) no Rio de Janeiro.
Pragmático, o mercado analisa o fato como um vigoroso movimento de verticalização dos serviços de saúde oferecidos pelo Hapvida nas duas capitais mais ricas e polusosas do País. A operação com o fundo de investimentos prevê R$ 600 milhões de capex, a sigla em inglês para Capital Expenditure, ou, em bom português, “despesas de capitais”.

A avaliação é que o grupo com origem e sede em Fortaleza, fundado ainda da década de 1980 pelo médico oncologista Cândido Pinheiro, trabalha para superar a pecha de plano popular ao optar pela construção e gestão, em parceria com uma empresa do ramo das finanças, de estruturas hospitalares que venham a ser condideradas de primeira linha. Instituições que possam fazer frente a um Sirio Libanês e Einstein, em São Paulo, e a rede D’or no Rio de Janeiro.
Segundo o site Brazil Journal, a gestora já tem em caixa a metade do valor previsto para o investimento. Ou seja, R$ 300 milhões. A outra metade será levantada no mercado para financiar os investimentos. “Os R$ 600 milhões são a estimativa inicial de quanto os dois hospitais devem custar. Caso o preço fique acima disso, a Riza tem a opção de investir o montante adicional, ou a Hapvida pode bancar essa diferença, ficando com uma participação no imóvel”, explica o texto do BJ..

A Rizo, parceira da cearense Hapvida no negócio, foi fundada por Daniel Lemos, conhecido por sua atuação na XP e ex-braço direito de Guilherme Benchimol. O novo parceiro da família Pinheiro fundou a Riza Asset Management em outubro de 2019. Graduado em engenharia de produção pela UFRJ, foi na XP que ganhou suas maiores crfecendiais no mercado ao se tornar Diretor de Produtos e Presidente do comitê de Produtos, responsável pelas áreas de Renda Fixa, Previdência, Seguros, Fundos Imobiliários e Mercado de Capitais.
De acordo com o BJ, um dos hospitais será construído do zero no centro expandido de São Paulo (o centro expandido de São Paulo é considerado área nobre da capital). “O segundo ficará no Rio de Janeiro e provavelmente será um brownfield, com o retrofit de um prédio já pronto”. A Riza fará o investimento nos imóveis por meio de um conjunto de veículos.
Os R$ 600 milhões são a estimativa inicial de quanto os dois hospitais devem custar. Caso o preço fique acima disso, a Riza tem a opção de investir o montante adicional, ou a Hapvida pode bancar essa diferença, ficando com uma participação no imóvel.
“O contrato é no modelo de built to suit, com prazo de 20 anos renovável por mais 20″. Built to suit é uma expressão em inglês que significa “construído para servir”. Trata-se de um modelo de contrato de locação imobiliária em que um investidor ou empresa de desenvolvimento imobiliário constrói ou reforma um imóvel de acordo com as necessidades específicas de um único inquilino. O inquilino irá alugar o espaço por um período de tempo pré-determinado.

“Estamos achando espaço no capex para acelerar os projetos de verticalização que não envolvem a imobilização de capital em ativos fixos,” o CFO Luccas Adib, que é o CFO do Hapvida NotreDame Intermédica. “Se o seu negócio é bom, não tem porque você investir em tijolo.”
Os projetos de verticalização citados por Adib envolvem, por exemplo, o investimento em clínicas e pronto-atendimentos nessas duas cidades.
Segundo o CFO, a ideia é que a parceria com a Riza seja “longeva”, com a gestora podendo entrar em outros projetos futuros da empresa. “É claro que tem que ser no preço certo, mas vai ser mais uma opção que teremos na mesa,” disse ele.
Os dois novos hospitais fazem parte da estratégia da Hapvida de aumentar sua verticalização na chamada Regional II, que engloba as operações do Sul e Sudeste do País.
Enquanto o nível de verticalização da Regional I (Norte, Nordeste e Centro-Oeste) é de 80% nas consultas e exames e de mais de 90% nas internações, na Regional II a verticalização fica ao redor de 50%.
“Com esse hospital de São Paulo vamos conseguir verticalizar uma parte importante dos sinistros que estão hoje na rede credenciada. Já no Rio vamos ter uma plataforma para crescer vidas de forma mais agressiva, aumentando o nosso market share local,” disse o executivo.
No Rio, a Hapvida estima que tenha um share de apenas 2% a 3% do mercado. Com a construção do hospital e outros investimentos na qualificação da rede, a empresa espera chegar a 30% num prazo não determinado.
Segundo Adib, a negociação para a compra dos imóveis para os dois hospitais está em fase final (tanto do prédio pronto quanto do terreno). Enquanto o brownfield deve ser mais rápido – deve ficar pronto em um ano – o greenfield tipicamente leva dois anos para ser concluído.
A Hapvida tem 86 hospitais. Destes, ela é dona de 25, aluga 35 da família Pinheiro e outros 26 de terceiros.
O CFO disse que não está nos planos fazer uma outra operação de sale and leaseback no curto prazo, já que “estamos gerando muito caixa, o que tem sido suficiente para sustentar a necessidade de capex.”
No ano passado, a companhia fez uma operação de sale and leaseback de R$ 1,25 bilhão com a família Pinheiro, que comprou 10 hospitais que estavam no balanço da companhia.
A ação da Hapvida cai 9,6% nos últimos doze meses. A empresa vale R$ 29,9 bilhões na Bolsa e negocia a 15x seu lucro estimado para o ano que vem.
Veja o fato relevante do Hapvida:








