Planos poderão quitar dívidas com SUS oferecendo atendimento na rede privada

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O fato: Impulsionado pelo programa Agora Tem Especialistas, o Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (28) uma mudança significativa na política de ressarcimento ao Sistema Único de Saúde (SUS). A nova medida permite que planos de saúde abatam suas dívidas oferecendo atendimento direto aos usuários da rede pública por meio da estrutura da saúde suplementar. A iniciativa começa a valer a partir de agosto e priorizará seis especialidades médicas com maior demanda.

Nova lógica de ressarcimento: As operadoras de saúde privadas acumulam dívidas com o SUS sempre que seus beneficiários utilizam serviços públicos que estão cobertos por seus contratos. Com a nova portaria, publicada nesta segunda, essas operadoras poderão converter os valores devidos em serviços prestados,  como consultas, exames e cirurgias, diretamente à população usuária do SUS. A expectativa é que, nesta primeira etapa, aproximadamente R$ 750 milhões em dívidas sejam transformados em atendimentos.

Para participar, os planos de saúde deverão aderir a um edital conjunto da ANS e do Ministério da Saúde, demonstrando capacidade técnica e apresentando uma matriz de oferta compatível com as necessidades locais. Além de se regularizarem fiscalmente, as operadoras poderão reduzir litígios judiciais e otimizar o uso da infraestrutura hospitalar conveniada.

Prioridades e metas: As especialidades incluídas inicialmente no programa são oncologia, oftalmologia, ortopedia, otorrinolaringologia, cardiologia e ginecologia, áreas onde a fila do SUS é historicamente mais longa. O governo federal estipulou a realização mínima de 100 mil atendimentos por mês. Para planos de menor porte, será possível negociar um valor mínimo mensal de R$ 50 mil.

Estados e municípios também poderão apresentar demandas específicas, ajustando o volume e tipo de atendimento conforme a realidade local.

Integração de dados entre SUS e rede privada: Outro ponto anunciado foi a ampliação da integração de dados clínicos entre as redes pública e suplementar, por meio da Rede Nacional de Dados em Saúde. A partir de outubro, pacientes poderão acessar de forma unificada o histórico de exames, prescrições, diagnósticos e tratamentos realizados em qualquer ponto da rede, seja pelo SUS, seja por instituições privadas conveniadas.

O cronograma da integração prevê:

  • 1º de agosto a 30 de setembro: envio retroativo dos dados entre 2020 e 2025;
  • A partir de outubro: atualização automática a cada novo atendimento realizado.

As informações estarão disponíveis no aplicativo Meu SUS Digital. Profissionais de saúde e gestores públicos terão acesso pelas plataformas SUS Digital Profissional e SUS Digital Gestor.

Impacto projetado: Com a medida, o Ministério da Saúde espera mais que dobrar o volume de informações armazenadas na Rede Nacional de Dados em Saúde, de 2,8 bilhões para 5,3 bilhões de registros. Atualmente, mais de 80% dos estados e 68% dos municípios já utilizam essa plataforma como base para o planejamento e execução das políticas públicas de saúde.

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