Priscila, Alcides e a disputa (interna) pelo Senado; Por Emanuel Freitas

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A oposição vem movimentando o tabuleiro eleitoral no Ceará. Nesta semana, André Fernandes assumiu, em Brasília, o comando do PL estadual, numa cerimônia que contou com a audiência de quase todos os parlamentares do PL e de outros partidos que, hoje, intentam derrotar o grupo governista – ou seja, além do PL, PDT, NOVO e PSDB estavam por lá.

Isso se deu na segunda, 22/09.

Dois dias depois, na noite desta quarta (24/09), mais um movimento no tabuleiro oposicionista: a presidente do PL Mulher, Michelle Bolsonaro, uniu-se a Valdemar da Costa Neto, presidente do PL , para anunciar, repetindo o que fizeram em junho deste ano, a candidatura da vereadora da capital, Priscila Costa, ao Senado Federal no ano que vem.

Na página oficial do PL Mulher lê-se que foi “um dia magnífico“, uma vez que, com Priscila, “temos a certeza de que a defesa da vida e dos valores conservadores vão encontrar uma Fortaleza instransponível no Senado Federal“; tudo isso abrindo caminho para um vídeo que se inicia com aquilo que deverá ser o slogan da candidatura, caso se concretize: “Deus, pátria, família e liberdade“, bem ao gosto do bolsonarismo.

O anúncio ocorreu, “em oração e em união por novos tempos” (como se lê nas postagens), numa espécie de ato do PL Mulher,  que é vice presidido pela vereadora, e contou com importantes nomes do bolsonarismo feminino: as deputadas federais Bia Kicis (DF), Julia Zanata (SC), Caroline de Toni (SC), Chris Tonietto (RJ) e Clarissa Tércio (PE) juntaram-se à Michelle e a Valdemar como forças femininas a chancelar o voo alto de Priscila, com direito a postagens nas redes de todas elas acerca do “momento importante” ali vivenciado.

Priscila, como se pode ver no vídeo oficial compartilhado, entende sua possível candidatura como uma “missão” dada a ela por Michelle, Valdemar e Bolsonaro, embora este tenha um outro candidato oficialmente lançado.  E é aqui que mora o grande desafio de Priscila.

O núcleo forte do bolsonarismo cearense não ficou até quarta em Brasília para prestigiar o “momento único” promovido pelo PL Mulher: o casal Silvana e Jaziel Pereira; André Fernandes e seu pai, Alcides; o casal Carmelo; os vereadores Inspetor Alberto, Jorge Pinheiro, Marcelo Mendes, Julierme Sena; o deputado Davi Vasconcelos e o senador Eduardo Girão- todos estavam, na segunda-feira, prestigiando a posse de André; nenhum deles, porém, foi visto na quarta à noite, apreciando a indicação de Priscila.

Nem mesmo, até o momento de escrita deste texto, uma menção sequer ao anúncio foi feita na página oficial do PL do Ceará.

Contudo, ao mesmo tempo, enquanto virava notícia o anúncio da dupla Michelle-Valdemar, páginas ligadas a André e Alcides relembravam a escolha de Jair Bolsonaro para a vaga no Ceará: o pai de André, o deputado Alcides Fernandes. Até o casal Jaziel e Silvana entrou na onda para relembrar o fato, como pode se ver abaixo:

Nikolas Ferreira, também, foi escalado para enunciar o “meu senador” nas redes de Alcides, que ali também exibe com orgulho o “meu senador” enunciado por Ciro Gomes, antigo (mas nem tanto) desafeto político.

Na manhã desta quinta (25/09), Priscila já foi tratada por seus pares, na Câmara, como “senadora”. Adahil Júnior fez gracejo com o modo como deveria chamá-la: “vereadora, deputada federal, senadora” (?) (Veja no link ao fim do texto).

Nas explicações individuais, a vereadora apontou o que deve ser um dos nortes de sua campanha: seria ela a segunda mulher na história do Ceará a ser eleita para o Senado; sob esse viés, vai ao encontro da agenda contemporânea de “mais mulheres na política”.

Nomeou-se como “símbolo do protagonismo feminino“, tal como Michelle Bolsonaro o seria.  Aliás, disse mesmo que era “missão do PL” levar mais mulheres ao Senado Federal.

Priscila, fenômeno eleitoral, pôs-se definitivamente na disputa majoritária de 2026.

Com o apoio de Michelle e de Valdemar, e com seu capital político inegável, exigirá da chapa oposicionista uma consideração acerca de sua persona.

Mas, ao que tudo indica, deverá travar uma primeira batalha em busca de uma das vagas em disputa: precisará ter a escolha do grupo político liderado por André Fernandes  (que detém a presidência do partido) e que, dada a ofensiva dos últimos dias, não dá mostras de disposição para retirada no nome de seu pai da disputa.

Nas declarações que circularam na tarde de hoje, Fernandes limitou-se a dizer que ela era “sim, pré-candidata“, sendo um “nome forte e que tem muito a cooperar com a chapa“.

Alcides, contudo, continua a ser “o candidato” de Bolsonaro. Priscila, a “pré“.

Que se prepare o menu do próximo café da oposição. Há muito chá no bule.

Vídeo Priscila

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