
Resumo: Decisão rejeita pedido para suspender levantamento e afirma que dúvida sobre metodologia levntada pelo pedido de liminar, sem apresentar nenhum indício de manipulação, não basta para impedir o acesso do eleitor aos dados. O argumento para impedir a divulgação da pesquisa é pueril. Se o tipo de alegação apresentada for levada em conta pelos honoráveis membros da nossa egrégia Justiça Eleitoral, todas, absolutamente todas, as pesquisas correm o sério risco de ser proibidas de divulgação no Ceará.
No fim das contas, trata-se de uma tentativa que o Focus Poder e a Atlasintel já conhecem ao longo dos anos de seus exercícios profissionais: Censura. Pura e simples, censura. De Andrei Roman, doutor em Ciência Política (Harvard): “A AtlasIntel pauta seu trabalho pela imparcialidade, rigor científico e precisão.” Não foi à toa que o Focus optou por trabalhar com a Atlas desde 2022.
O fato é que a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) colocou um freio em uma tentativa de suspender a divulgação da pesquisa eleitoral AtlasIntel contratada pelo Focus Poder. O juiz auxiliar Flávio Vinícius Bastos Sousa indeferiu a liminar que buscava impedir a publicação do levantamento sobre as disputas para governador e senador, além de medir a intenção de voto dos candidatos a presidente no âmbito eleitoral do Ceará.
A decisão toca em um ponto especialmente sensível na reta final da eleição: pesquisa registrada não é pesquisa previamente chancelada pela Justiça Eleitoral. O próprio TSE estabelece que o registro não significa aprovação do levantamento e que a Justiça Eleitoral não exerce controle prévio sobre seus resultados.
Da decisão do magistrado: “A suspensão liminar da divulgação constitui medida excepcional, que pressupõe a demonstração de requisito faltante, de deficiência técnica ou de indício de manipulação, e não a simples formulação de dúvida sobre a robustez do levantamento. Mesmo na hipótese em que o TSE deferiu parcialmente tutela dessa natureza, o fundamento consistiu na presença de elementos minimamente consistentes de comprometimento da neutralidade do questionário, extraídos do próprio formulário registrado, do cotejo com outras 27 pesquisas da mesma empresa e de declarações públicas de seu dirigente”.
Liberdade de pesquisar
No caso concreto, a contestação questionava a metodologia de recrutamento digital da AtlasIntel e apontava anúncios nas plataformas da Meta que poderiam levar ao questionário. O TRE-CE considerou, porém, que não havia demonstração de submissões múltiplas, participação de pessoas de fora do eleitorado cearense ou distorção dos dados coletados. Para o magistrado, a controvérsia apresentada era uma discussão técnica sobre os controles de uma metodologia de coleta on-line, que poderá ser examinada com contraditório e, se necessário, prova pericial.
Liberdade de divulgar
O ponto mais relevante está no limite estabelecido para a intervenção judicial. A decisão lembra precedentes do TSE segundo os quais a publicação de uma pesquisa não pode ser proibida simplesmente pelo exercício do poder de polícia. A suspensão é tratada como medida excepcional, dependente de elementos concretos que indiquem deficiência técnica ou manipulação.
O TSE também informa que a legislação eleitoral estabelece regras para o registro e a divulgação das pesquisas justamente para garantir transparência, mas deixa claro que a Justiça Eleitoral não realiza controle prévio dos resultados.
O que estava em jogo
A pesquisa foi registrada sob o número CE-01709/2026, com 1.800 entrevistas, coleta prevista entre 23 e 28 de setembro e divulgação em 29 de setembro. A decisão não declarou que a metodologia da AtlasIntel está acima de questionamentos. Tampouco encerrou o processo. Apenas concluiu que, naquele momento, não havia elementos suficientes para interromper a divulgação. O mérito ainda será analisado depois da defesa das partes e do parecer do Ministério Público Eleitoral.
Por que importa
Em uma eleição marcada por disputas acirradas em torno de números, o direito de questionar uma pesquisa e o direito de conhecê-la precisam conviver. O episódio deixa uma questão maior sobre a mesa: até onde pode ir a intervenção judicial sobre uma informação eleitoral antes que a proteção contra eventuais irregularidades se transforme, na prática, em restrição ao direito de informação do eleitor?
Neste caso, o TRE-CE respondeu de forma objetiva: sem indício concreto de comprometimento dos resultados, a dúvida metodológica não justificava retirar a pesquisa do debate público. A decisão cita, inclusive, que impedir a divulgação a poucos dias do primeiro turno poderia esvaziar de maneira praticamente irreversível sua utilidade informativa para o eleitorado.
Vá mais fundo: a legislação eleitoral impõe transparência e registro às pesquisas, mas a Constituição protege a liberdade de expressão e de comunicação. O equilíbrio entre esses dois princípios é justamente o terreno em que decisões como esta ganham peso. Para o novo levantamento, a AtlasIntel entrevista 1.800 eleitores no Ceará, entre 23 e 28 setembro. A pesquisa tem nível de confiança de 95%. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos. Os registros no TSE são CE-01709/2026 e BR-04194/2026.
A posição do Focus Poder
Para o Focus Poder, a credibilidade da AtlasIntel não nasce desta pesquisa nem se sustenta em uma fotografia isolada. Há uma trajetória anterior de muita credibilidade que precisa ser considerada.
Nas eleições de 2022 no Ceará, a AtlasIntel foi o instituto que captou a virada de Elmano de Freitas tanto no início da campanha quanto na reta final — movimentos que não haviam sido antecipados pelos demais levantamentos de outros institutos. O mesmo ocorreu na disputa pela Prefeitura de Fortaleza, em 2022, quando ocorreram tentativas, em dois momentos, das candidaturas de Capitão Wagner e José Sarto de barrar as pesquisas. Tentativas, felizmente, reprovadas pela Jistiça eleitoral. No caso primeiro, tardiamente.
O histórico da AtlasIntel também ultrapassa as fronteiras brasileiras. O instituto realiza levantamentos nos Estados Unidos, no México e em diversos países da América Latina, incluindo Argentina, Chile, Colômbia, Peru e Venezuela. A iniciativa Latam Pulse, em parceria com a Bloomberg, acompanha atualmente sete países da região.
Na Europa, há pesquisas da AtlasIntel em países como França, Romênia e Hungria. Na eleição presidencial francesa de 2022, por exemplo, o instituto destacou que seu levantamento antecipou corretamente alguns movimentos importantes da disputa. Na Romênia, realizou pesquisas nacionais nas eleições presidenciais e parlamentares de 2024 e na presidencial de 2025. Em 2026, realizou também pesquisa nacional na Hungria.
Nos Estados Unidos, a atuação é ainda mais ampla. A AtlasIntel realizou pesquisas nacionais durante a eleição presidencial de 2024 e, segundo o Silver Bulletin, recebeu nota A+ e a primeira posição no ranking de institutos americanos de 2025. O próprio histórico divulgado pela empresa registra desempenho de destaque nas eleições presidenciais americanas de 2020 e 2024.
É esse conjunto de experiências — Ceará, Brasil, América Latina, Estados Unidos e Europa — que sustenta a decisão do Focus Poder de contratar a AtlasIntel. Não significa atribuir infalibilidade ao instituto: pesquisa é fotografia, não sentença. Significa reconhecer uma metodologia que deve ser submetida ao escrutínio público, comparada com os resultados e avaliada pelos seus métodos e pelo seu histórico.
No episódio atual, essa discussão ganha uma dimensão adicional. O TRE-CE decidiu não suspender a divulgação da pesquisa AtlasIntel/Focus Poder, por entender que não há elemento concreto de manipulação ou comprometimento dos resultados. Para o Focus Poder, preservar a divulgação de uma pesquisa regularmente registrada significa também preservar a liberdade de informação, o direito de pesquisa e o direito do eleitor de conhecer — e criticar — os diferentes retratos da eleição.







