Os dois brasis; Por Paulo Elpídio de Menezes Neto

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Jacques Lambert, no despertar da onde do interesse e simpatia pelo Brasil, que fez moda na França, no pós-guerra imediato, publicou um livro cuja repercussão nos círculos acadêmicos fortaleceria o interesse dos brasileiros pelo Brasil , (“Les deux Brésil”, 1953).

Roger Bastide retrucaria, em grande estilo com “Brésil, Terre de Contrastes” (1957). Antes, porém, Charles Morazé lançaria “Les Deux âges de Brésil”, ampliando o escopo de uma abordagem que marcaria os estudos brasilianistas, antes da “chegada” dos “brazilianists” americanos ao Brasil.

Neste grupo despontam Euclides da Cunha, Gilberto Freyre, Fernando de Azevedo e Sérgio Buarque de Holanda — os essenciais– ,de tal modo relevante foi a sua contribuição para os brasilianistas da época…

[Lambert e Bastide protagonizaram papel relevante no estudo de uma tese que despertaria grande inreresse sociológico, político e antropológico. A imagem de “dois Brasis” suscita e põe em cheque duas realidades que coexistem — o “Brasil moderno”, do Centro-Sul e o “Brasil arcaico” do Nordeste.]

A clivagem nítida entre estes dois “países” demonstra a distância que os separa ainda hoje, aprofundada neste século pelas realidades que se opõem e políticamente desenham os seus contrários.

A imagem de “dois Brasis” volta a ganhar projeção com a polarização político-ideológica que reduz o Nodeste e parte do Norte a uma província marcada pelo extremismo de uma militância ativista primitiva porém perseverante.

Os principais índices de desenvolvimento humano (IDH) refletem-se no mapa eleitoral deste ano. Suas duas metades, cujas disparidades se mostram distantes em todas as estatísticas, falam das 3 idades do Brasil e como se apresentam como os 2 “países”…

Esta vasta região traz na sua história atraso secular, alimentado pelas inclemências climáticas e pela força politica das oligarquias e de uma cultura patrimonialista dominadora.

Eleitoralmente, estamos divididos em hostes aguerridas de brasileiros “progressistas” e “conservadores” ou, se o preferirem, de esquerdistas e direitistas.

Estamos sitiados em um arquipélago de atraso e progresso, por territórios social e culturalmente distantes.

Paulo Elpídio de Menezes Neto é articulista do Focus Poder, cientista político, membro da Academia Brasileira de Educação (Rio de Janeiro), ex-reitor da UFC, ex-secretário nacional da Educação superior do MEC, ex-secretário de Educação do Ceará.

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