
Prezado/a leitor/a, acompanhe-me em mais uma análise sobre o resultado da eleição de 2026.
“Não há outro nome forte para derrotar o PT no estado que não seja o dele“.
Por pouco mais de um ano essa frase ressoou nas declarações de diversos membros da oposição ao PT no Ceará, referindo-se à crida potência eleitoral e política de Ciro Ferreira Gomes (PSDB).
Era, assim, a rendição, a céu aberto, de parte considerável daquela oposição que tanto denunciou a “oligarquia” ou a “ditadura dos Ferreira Gomes” a um dos “Ferreira Gomes”.
De André Fernandes a Carmelo Neto, passando pelo casal Silvana e Jaziel; de Wagner a Reginauro, passando por Felipe Mota e Heitor Ferrer, a frase tornou-se um mantra dos oposicionistas cearenses; mas, também, tornou-se um “cala-te” a quem quer que, à direita, se opusesse à aliança entre Ciro e os bolsonaristas ou neobolsonaristas no estado – calou, até mesmo, a então presidente do PL Mulher, Michelle Bolsonaro, o senador aliado de tantas lutas, Eduardo Girão (NOVO), e a vereadora mais votada do Nordeste, Priscila Costa.
“Só Ciro tira o PT do governo“.
Ao calar opositores e servir como legitimação da aliança, o mantra tornou-se promessa expectante, revigorando, para a disputa, os quadros do PSDB, sigla por meio da qual Ciro disputaria seu retorno ao Palácio da Abolição, e à qual levaria seu grupo, desfiliado do PDT.
Então, como compreender a “derrota” de Ciro?
Foram 376.682 os votos que separaram Ciro de Elmano de Freitas (PT) na disputa pelo governo do Ceará. Pouco mais da metade dos votos totais recebidos por André Fernandes (PL) em sua busca pela reeleição à Câmara dos Deputados.
Sete pontos percentuais.
Registre-se que Elmano foi reeleito com apenas 67.273 votos a mais do que os recebidos em 2022.
Ciro, porém, recebeu 850 mil votos a mais que Wagner (segundo colocado em 2022) e, juntando os votos deste e de Roberto Claudio naquela eleição, o tucano supera-os em mais de 100 mil.
Ou seja: Ciro fez o voto de oposição crescer mais do que o governo o fez em relação a si mesmo.
Na capital, Ciro recebeu 758.098 votos, ou 52,91%, 156 mil votos a mais do que os recebidos por Wagner em 2022.
Mesmo assim, é de sua derrota que estamos a tratar aqui, e ela não se limita à sua não-eleição.
Seus companheiros de chapa para o Senado, Alcides Fernandes e Capitão Wagner também foram derrotados. Este, por sinal, acumula sua quinta derrota majoritária consecutiva (tema para outro texto).
José Sarto – o “melhor prefeito de Fortaleza”, segundo Ciro – passou longe da eleição para a Câmara dos Deputados, assim como o seu eterno companheiro de batalhas, Mauro Filho.
Também não lograram êxito nomes que migraram do PDT para o PSDB na “onda Ciro”: Queiroz Filho e Claudio Pinho. Neotucanos em busca da “derrota do PT”, Heitor Ferrer e Felipe Mota também não se reelegeram.
Aliás, os eleitos do PSDB nada devem a Ciro Gomes.
Nem derrotou o PT, nem (re)elegeu deputados, nem fez crescer o PSDB no estado. Nem derrotou Cid e Luizianne na disputa senatorial.
Contudo, deu capilaridade à fração oposicionista ligada a André Fernandes; ao que parece, Ciro serviu como um trampolim para 2028 e 2030.
A “onda Ciro” restou por provar-se.
Bem, se “só Ciro” seria capaz de derrotar o PT no estado, e isso não ocorreu, haverá alguém capaz de derrotar?








