
A ausência de reajustes reais em benefícios sociais e previdenciários pode reduzir em até 13% a renda agregada dos municípios do interior do Ceará, segundo estudo do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), ligado à Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP). No Estado, aposentadorias, Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada (BPC) representam 40% da renda agregada das cidades do interior, ante 22% em Fortaleza e na Região Metropolitana.
Benefícios têm impacto na economia local
De acordo com a pesquisa, os pagamentos previdenciários e assistenciais são fontes importantes de renda para famílias de menor poder aquisitivo e podem representar até metade dos rendimentos de quem recebe até 1,5 salário mínimo por pessoa. Além de contribuir para a compra de alimentos e outros itens essenciais, os recursos movimentam o comércio, sustentam postos de trabalho e ajudam na arrecadação dos municípios.
As projeções comparam o crescimento real do BPC e das aposentadorias entre 2022 e 2025 com um cenário semelhante ao de 2019 a 2022, quando não houve ganhos reais do salário mínimo. Sem a valorização dos benefícios, a renda agregada dos municípios do interior brasileiro poderia ficar entre 6,8% e 10,8% abaixo do nível projetado com os reajustes. No Ceará, a estimativa varia de 10% a 13%.
Estudo estima aumento da pobreza
O levantamento também aponta que cerca de 2,7 milhões de pessoas que vivem fora das regiões metropolitanas poderiam ter sido levadas à pobreza caso os benefícios não tivessem registrado ganhos reais entre 2022 e 2025. Desse total, aproximadamente 2,4 milhões entrariam na faixa de extrema pobreza.
Na avaliação da economista Luiza Nassif, professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pesquisadora do Made, a redução do poder de compra das famílias pode gerar efeitos em cadeia sobre a atividade econômica dos municípios. A pesquisadora destaca a importância da manutenção dos ganhos reais dos benefícios tanto para a proteção social quanto para a continuidade do comércio nas cidades do interior.






