Moro, um judicante no Executivo

COMPARTILHE A NOTÍCIA

Por Frederico Cortez*
Ao que parece, o governo Bolsonaro já começou antes da sua posse. Ao menos, no que diz respeito aos nomeados para o ministério do capitão e aos efeitos do mercado. Este, sempre movido às especulações e emoções. Na data
de quinta-feira, 01, um nome foi capaz de movimentar toda a imprensa nacional e boa parte dos principais jornais do mundo. Sérgio Moro foi o escolhido para comandar um superministério da justiça.
Fato. A Bovespa bateu seu recorde em negociações dos últimos tempos e o dólar desceu ao patamar abaixo da casa dos R$ 3,70. Efeito pós indicação do Moro. Juiz federal, tornou-se um dos símbolos do combate à corrupção na
operação “Lava-jato”. Lá fora, deixou uma mensagem clara de que o país tem pessoas sérias e comprometidas com o futuro da nação. Às 17:14 de quinta-feira (01/11), a Bovespa fechou com alta de 1,14% e com 88.419 pontos. Para
quem não tem intimidade com mercado de ações, é algo muito positivo. Basta dizer isso, significa confiança e credibilidade dos investidores com o futuro governo. Uma aposta.
Lembremos que o magistrado Sérgio Moro não é a justiça em si. Faz parte da primeira instância da hierarquia da magistratura federal brasileira. Acima dele está o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, o Superior Tribunal de Justiça e o Supremo Tribunal Federal. Sim, tem hierarquia também no Poder Judiciário, porém cada juiz tem sua autonomia para julgar os fatos conforme a lei e o seu entendimento. Aos desapontados com as decisões, o uso dos recursos judiciais é a via eleita para a mudança do entendimento.
O Brasil é um ponto fora da curva da normalidade em quase todas as suas facetas. Algo me impactou. Se um presidente nomeia para um determinado ministério, um político que está sendo processado pela justiça por crimes de corrupção, desvio de dinheiro, formação de quadrilha, é motivo para toda revolta. Subscrevo.
Há muitos comentários contrários à indicação de Moro para o Ministério da Justiça. E qual foi o crime cometido por Sérgio Moro? Segundo alguns recém inconformados com a eleição de Bolsonaro, acreditam que foi uma premiação por não ter deixado Lula concorrer para a presidência. Opa, muita calma nesta hora. O indeferimento de Lula para a corrida ao planalto foi tomada de decisão do Tribunal Superior Eleitoral. Algo bem longe da caneta do futuro ministro da justiça de Bolsonaro.
No que pese ao futuro de Sérgio Moro, alguns apontam uma provável cadeira no STF, outros apostam uma vida na política na melhor versão #eleição2022. Certeza de algo? Nenhuma. Nem a vida é certa no outro dia, porém o tal
mercado não é nenhum principiante. Bolsonaro foi uma aposta para uma economia mais liberal, com máquina enxuta e um estado mínimo.
Retornando ao tema guia do dia, Sérgio Moro mira em algo maior. Se antes ele tinha somente a caneta de um juiz, mas não tinha a estrutura desejada para o combate à corrupção, agora ele terá o comando da estrutura do ministério da justiça sob a sua pena. Querem outra certeza? Aí vai. A escolha por Moro teve identicamente o viés de acalmar a comunidade internacional, quanto aos rótulos dados ao 38ª Presidente da República mormente à seus possíveis e futuros descaminhos em relação à Lei. Assim, só restou aos demais a conjecturar teorias de conspirações para lá de criativa e ficcionistas.
Para o trato da coisa pública (Res publica), a única coisa que não se coaduna com a razoabilidade e proporcionalidade é uma pessoa de conduta duvidosa assumir funções que irão decidir a vida do povo comum. O que não se ajusta ao perfil do Sérgio Moro. Então, por que não #ministromorosim?
*Frederico Cortez é advogado, consultor e colaborador do Focus.jor

COMPARTILHE A NOTÍCIA

PUBLICIDADE

Confira Também

Atlas/Focus: dobradinha Cid-Luizianne soma 59,6% dos votos válidos para o Senado

Atlas/Focus: Elmano 49,9% x Ciro 49,6% dos votos válidos; Ceará chega à urna separado por um fio

Focus/Atlas: Aprovação de Elmano vira a favor; Avaliação do governo melhora, mas continua dividida

Atlas/Focus: Cid e Luizianne nas duas primeiras posições no Senado; dupla abre vantagem sobre Wagner e Alcides

Atlas/Focus: Elmano avança entre os mais velhos e nas faixas de maior renda; Ciro concentra vantagem entre jovens

Atlas/Focus a seis dias da eleição: Elmano 49% x Ciro 47,6%

Coligação de Ciro Gomes tenta barrar pesquisa Atlas/Focus, mas TRE rejeita e impede censura

Atlasintel: A polícia e a confiança que ainda resiste

Atlas/Focus: Lula mantém vantagem larga no Ceará, mas avanço de Flávio reduz distância

Atlas + Focus: Cid lidera consolidado, Luizianne encosta e Wagner mantém disputa aberta entre os três primeiros

Focus/Atlas: O placar muda com Elmano 48,5% x Ciro 48% e disputa entra na reta final em claro empate técnico

Entenda a super sexta-feira: três pesquisas e três fotografias em uma disputa que continua aberta

MAIS LIDAS DO DIA

Fechadas as contas eleitorais, faltarão os ajustes para a governabilidade; Por Paulo Elpídio

Boa notícia: Petrobras e QatarEnergy abrem nova fronteira do petróleo no Ceará

Nota de Ciro Gomes: mais amarga do que a derrota; Por Ricardo Alcântara

Seminário internacional traz pesquisadores, educadores e agentes de transformação social para Fortaleza

Produção de veículos cresce 10,2% em setembro e atinge melhor resultado para o mês desde 2014

Faturamento da indústria de transformação cai 3,5% em agosto, aponta CNI

UOL: 69 parlamentares eleitos são investigados ou réus por crimes

Nordeste no banco dos réus: 27 milhões de ataques em três dias

Vicente Aquino chega ao BNB em área estratégica — e sob pressão