A ternura entrou no discurso de Ciro, mas a linguagem se mantém muito sofisticada

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Por Fábio Campos
fabiocampos@focuspoder.com.br

Com pouco mais de meia hora de duração, a entrevista de Ciro Gomes (PDT) ao jornalista Pedro Bial (Globo) mostra que o pré-candidato a presidente da República vem trabalhando uma mudança essencial em sua postura e atitude. Nada da bobagem enganadora de “Cirinho paz e amor”, mas sim a compreensão de que é preciso fazer seu lado mais leve se sobressair.

Ciro já havia deixado isso claro na excelente e longa entrevista concedida ao Focus Colloquium (convido os leitores que ainda não a viram).

Ciro não deixou de lado sua leitura ácida e realista tanto da política quanto da economia. Está correto. É a sua essência. No entanto, ainda deixa que os diagnósticos das doenças tenham mais espaço em suas falas que o tratamento para a cura.

Diante de um cenário tão nefasto, tomado por uma pauta maniqueísta, paupérrima, e dominado por dois polos que trabalham com afinco para ficarem sozinhos no jogo, é preciso injetar uma boa pitada de otimismo. Afinal, a julgar pelo caos imposto por extremos, é muito provável que a grande e decisiva fatia do eleitorado esteja em busca de equilíbrio, paz e foco no que importa.

O próprio Ciro admite que o efeito João Santana, o seu publicitário, o influenciou na compreensão de que precisa se mostrar mais gente boa e menos professor severo. Aliás, a mais difícil guinada a ser dada por Ciro é justamente o conteúdo de sua linguagem, que ainda permanece muito sofisticado para a (imensa) parcela menos escolarizada da Nação.

A propósito, provocado pelo entrevistador, Ciro terminou a conversa entoando uma música que aponta como uma “canção que diz tudo de mim”. Trata-se de Guerreiro Menino, de Gonzaguinha, gravada também por Fagner. Um trecho:

Um homem também chora
Menina morena
Também deseja colo
Palavras amenas

Precisa de carinho
Precisa de ternura
Precisa de um abraço
Da própria candura

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