Apple e a ineficiência brasileira

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André Tavares é estudante de Ciências Econômicas e Administração. Coordena o Clube Atlas.

Nos últimos dias, a empresa norte americana Apple, dona de marcas como iPhone, iMac, iPod, MacBook e tantos outros produtos de tecnologia, alcançou o recorde mundial em valor de mercado. A gigante da tecnologia bateu o Market Value de 1 Trilhão de dólares. Isso mesmo, leitor; você viu o número certo. 1 Trilhão de dólares, o que convertendo para real, resulta num valor médio de 3.8 Trilhões de reais. O valor é tão alto, que merece algumas rápidas comparações com a realidade brasileira antes desenvolvermos mais propriamente o título do texto.
O indicador econômico mais conhecido pela população é o Produto Interno Bruto, ou PIB; o PIB nada mais é do que a somatória de toda a riqueza criada por uma determinada região, em um determinado ano, no economês o PIB é a soma de todo o Gasto do governo, mais todo o Investimento privado, mais o Consumo das famílias e empresas, mais o valor líquido do Comércio Internacional dentro do país durante o tempo de 1 ano.
Pois bem, o valor de mercado da Apple é maior que a metade de todo o PIB brasileiro, que ficou na faixa de 6,6 trilhões de reais em 2017. Isso mesmo, apenas uma empresa norte americana tem, em valor de mercado, mais da metade de toda a riqueza criada no Brasil durante 1 ano inteiro, ou seja, se todas as ações da Apple fossem de um única pessoa, e ela as vendesse todas, ela teria riqueza o suficiente para ser dona de mais da metade do Brasil. Isso é apenas uma empresa dos Estados Unidos.
O valor também é maior do que o somatório de todas as mais de 380 empresas brasileiras listadas em bolsa de valores, que totalizam 847 bilhões de dólares, o que, convertendo para reais, dá um total de 3,2 trilhões de reais. Isso significa que apenas uma empresa norte americana tem um valor maior do que todas as empresas brasileiras que possuem o seu capital disponível para investimento. O valor de mercado que a gigante Apple atingiu foi recorde mundial de uma empresa privada, tendo sido batido apenas uma vez antes por uma empresa petrolífera chinesa Petro Chine, semiestatal que, em 2007, atingiu o mesmo valor, mas pouco tempo depois viu seu valor de mercado ruir.
Feitas as devidas comparações para que possamos compreender a magnitude do número que estamos trabalhando e após mostrar que apenas uma empresa norte americana possui mais riquezas do que todas as brasileiras de capital aberto, vamos buscar entender porque o valor de mercado da Apple é tão alto, e porque as empresas brasileiras sequer conseguem chegar próximo a isso. O valor de mercado de uma empresa(de capital aberto) nada mais é do que a multiplicação do valor unitário de suas ações pela quantidade de ações existentes da empresa.
O valor de cada ação é calculado com relação a sua capacidade de gerar fluxo de caixa para o acionista, ou seja, de rentabilizar o acionista. E isso só é possível de ser atrativo com uma empresa que tenha uma capacidade produtiva muito alta, ou seja, que seus funcionários consigam produzir mais com menos recursos, para isso, é necessário competição. E esse é um dos vários pontos que distinguem a economia brasileira da norte americana. Gosto de dizer que os Estados Unidos são mais ricos do que o Brasil por centenas de motivos, e apenas por um.
Porque o trabalhador médio norte americano produz 5 vezes mais do que o trabalhador médio brasileiro, segundo dados do Conferenceboard, associação de pesquisa de negócios independente. Ou seja, enquanto 5 trabalhadores brasileiros criam X de riqueza, apenas 1 trabalhador norte americano cria os mesmos X de riqueza.
Isso quer dizer que o brasileiro é menos esforçado ou mesmo menos capacitado que o Estadunidense? Eu arrisco dizer que não, diria que existem uma série de problemas institucionais no Brasil que não permite que o trabalhador consiga produzir. Como ausência de competitividade, falta de tecnologia acessível pelo empresário brasileiro, taxas de financiamento extremamente elevados, uma burocracia asfixiante que impede o comércio internacional e muitos outros fatores.

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