Atlas/Bloomberg: Lula lidera no 1º turno, mas Flávio Bolsonaro já empata no 2º

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A corrida presidencial de 2026 entra em uma nova fase. Pesquisa Atlas/Bloomberg, realizada entre 4 e 9 de setembro com 5.000 entrevistados, mostra Lula na liderança do primeiro turno, mas revela uma situação muito mais apertada quando a eleição é reduzida a um confronto direto com Flávio Bolsonaro. A margem de erro é de 1 ponto percentual, para mais ou para menos. 

No primeiro turno, Lula aparece com 43% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro soma 37,4%. A diferença é de 5,6 pontos percentuais. Eduardo Cury aparece em terceiro, com 6,6%, seguido por Renan Santos, com 6,5%. O cenário muda radicalmente no segundo turno. Em uma disputa direta entre Lula e Flávio Bolsonaro, o candidato do PL aparece com 46,4%, contra 46,2% de Lula. A diferença de apenas 0,2 ponto está muito abaixo da margem de erro e caracteriza empate técnico. 


A vantagem de Lula desaparece quando a disputa se resume aos dois
O resultado é um dos principais sinais políticos da pesquisa. Lula consegue liderar o primeiro turno, mas não mantém essa vantagem diante de Flávio Bolsonaro em uma eleição de segundo turno. A série histórica apresentada pela Atlas mostra que a distância entre os dois vem diminuindo. Em setembro, Flávio aparece numericamente à frente pela primeira vez no cenário apresentado, ainda que dentro da margem de erro. 

O dado sugere que a eleição ainda está longe de estar definida e que a capacidade de Lula de chegar à frente no primeiro turno não significa, necessariamente, vantagem na etapa decisiva.

Lula enfrenta desgaste na avaliação do governo
O presidente chega à pesquisa com uma avaliação desfavorável. 53,8% desaprovam o desempenho de Lula, enquanto 43,7% aprovam. Apenas 2,5% não souberam responder. Na avaliação do governo, 50,8% consideram a administração ruim ou péssima. Outros 38,3% classificam o governo como ótimo ou bom e 10,8% como regular. 

A série temporal reforça o quadro: a avaliação negativa permanece acima da positiva e encerra o levantamento em 50,8%, contra 38,3% de ótimo/bom. Há aí um paradoxo eleitoral importante: Lula lidera o primeiro turno mesmo com a desaprovação ao presidente superior à aprovação e com a avaliação negativa do governo acima da positiva.

Flávio é o adversário que mais ameaça Lula
A Atlas testou cinco possíveis adversários em segundo turno. O cenário mais apertado é justamente o confronto com Flávio Bolsonaro. Lula também aparece tecnicamente empatado com Romeu Zema: 46% contra 46,2%. Com Ronaldo Caiado, o placar é de 45,7% para cada lado. Já contra Eduardo Cury, Lula aparece com 43,8%, contra 41,1%. Diante de Renan Santos, a vantagem petista aumenta: 46% a 33,8%. O levantamento, portanto, aponta Flávio como o adversário mais competitivo contra Lula entre os nomes testados.

Lula e Flávio também lideram a rejeição
A polarização aparece de forma ainda mais clara na rejeição. Lula é o candidato que apresenta a maior rejeição: 52,5% afirmam que não votariam nele de jeito nenhum. Flávio Bolsonaro vem logo atrás, com 49,6%. Jair Bolsonaro tem 37,7% de rejeição; Renan Santos, 35,7%; Pablo Marçal, 35,1%; Romeu Zema, 31,6%; Ronaldo Caiado, 28,1%; e Eduardo Cury, 25,6%. O dado ajuda a explicar o equilíbrio no segundo turno: os dois candidatos mais competitivos são também os dois mais rejeitados.

Quase metade do eleitorado teme a vitória de um dos dois
Outro indicador reforça a natureza negativa e polarizada da disputa. Quando perguntados sobre qual resultado eleitoral mais causa medo ou preocupação, 45,9% apontam a eleição de Flávio Bolsonaro, enquanto 45% apontam a reeleição de Lula. Outros 8,8% dizem que os dois resultados os preocupam igualmente. A diferença é de apenas 0,9 ponto percentual. É uma fotografia de um eleitorado dividido não apenas sobre quem prefere, mas também sobre quem não quer ver no Palácio do Planalto.

Flávio leva vantagem na percepção sobre áreas de governo
Um dos dados mais relevantes da pesquisa aparece na comparação sobre capacidade de administrar diferentes áreas. Entre Lula e Flávio Bolsonaro, o candidato do PL aparece à frente em praticamente todas as áreas pesquisadas: política externa, saúde, educação, pobreza e desigualdade, democracia, geração de empregos, economia e inflação, infraestrutura, criminalidade, equilíbrio fiscal, combate à corrupção e impostos. Lula aparece à frente apenas em proteção do meio ambiente, com 45% contra 44% de Flávio. 

O resultado merece atenção porque mostra que a vantagem de Flávio no segundo turno não aparece apenas como reflexo de identificação ideológica. Na comparação direta, ele também obtém vantagem na percepção do eleitor sobre temas econômicos, sociais e administrativos.

A eleição começa a assumir contornos de plebiscito
A pesquisa Atlas/Bloomberg desenha uma eleição cada vez mais concentrada em dois polos. De um lado, Lula mantém a capacidade de liderar o primeiro turno, com 43%. De outro, Flávio Bolsonaro demonstra capacidade de absorver votos e transformar uma desvantagem de 5,6 pontos no primeiro turno em empate no segundo. O quadro é agravado pela elevada rejeição dos dois.

Isso significa que a eleição pode ser definida menos pela capacidade de um candidato ampliar sua preferência e mais pela capacidade de reduzir a rejeição e conquistar o eleitor que hoje está fora dos dois polos.

O que a pesquisa diz neste momento
Lula continua favorito a chegar ao segundo turno. Flávio Bolsonaro é o adversário mais competitivo entre os nomes testados. O segundo turno entre os dois está tecnicamente empatado. Lula enfrenta desaprovação de 53,8% e avaliação negativa do governo de 50,8%. Os dois concentram as maiores taxas de rejeição. Quase metade do eleitorado afirma temer a vitória de um ou de outro.

O retrato da Atlas/Bloomberg é, portanto, o de uma eleição aberta, polarizada e com forte componente de rejeição. A principal mensagem da pesquisa é simples: Lula lidera a largada, mas Flávio Bolsonaro já chegou ao empate na linha de chegada.

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