
O Supremo Tribunal Federal (STF) negou, nesta quarta-feira (28), a existência de mandados de busca e apreensão da Polícia Federal (PF) contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A manifestação ocorreu após notícias de que agentes estariam realizando uma operação na mansão do parlamentar, localizada no Lago Sul, bairro de alto padrão em Brasília.
Em nota, o STF afirmou que não houve decisão judicial nem diligência policial com essa finalidade. “É falsa a informação veiculada sobre a existência ou o cumprimento de qualquer mandado de busca e apreensão direcionado ao senador Flávio Bolsonaro ou a seus endereços”, informou a Corte.
Entrega de passaportes
A manifestação ocorre após Flávio deixar o Brasil por via terrestre, cruzando a fronteira com a Argentina, e embarcar em um avião particular com destino aos Estados Unidos, dois dias depois de perder a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A viagem aconteceu após o ministro Alexandre de Moraes determinar a apreensão dos passaportes do senador e proibi-lo de deixar o país. A decisão foi tomada depois de a PF apontar risco de fuga após o resultado eleitoral.
Na segunda-feira (27), Flávio foi abordado por agentes da PF ao sair da residência do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena em regime domiciliar por tentativa de golpe de Estado. Na ocasião, foi intimado a entregar os passaportes comum e diplomático.
Em vídeo publicado nas redes sociais, o senador afirmou que cumpriria a determinação judicial e negou ter intenção de deixar o Brasil. Também declarou que enfrentaria as acusações às quais responde no Supremo.
Na terça-feira (27), porém, Flávio cruzou a fronteira com a Argentina e seguiu viagem para os Estados Unidos, apesar da restrição judicial.
Investigações no Supremo
A decisão sobre os passaportes foi tomada no âmbito de um inquérito relatado por Moraes que investiga Flávio por suspeita de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O advogado Willer Tomaz, amigo próximo do senador, também é investigado e, segundo as informações divulgadas, deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos antes da eleição.
Flávio também é alvo de uma investigação relacionada ao Banco Master, sob relatoria do ministro André Mendonça. Nesse caso, a Polícia Federal apura um suposto pedido de R$ 134 milhões ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo proprietário da instituição, para financiar o filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro.
A suspeita surgiu a partir de mensagens extraídas do celular de Vorcaro. O site The Intercept Brasil divulgou um áudio relacionado ao pedido de recursos.
Flávio reconheceu ser o autor do áudio e das mensagens trocadas com Vorcaro, mas negou irregularidades. Segundo o senador, a iniciativa se tratava de uma captação de recursos privados, sem ilegalidade.






