Banco do Brasil quebra sequência de lucros e revê projeções para 2025

COMPARTILHE A NOTÍCIA

Edifício sede do Banco do Brasil, em Brasília. 

O fato: Após 16 trimestres consecutivos de crescimento, o Banco do Brasil (BB) viu seu lucro encolher no início de 2025. De janeiro a março, o banco estatal registrou lucro líquido ajustado de R$ 7,3 bilhões — queda de 20,7% em relação ao mesmo período de 2024 e de 23% na comparação com o quarto trimestre do ano passado. O balanço foi divulgado na noite de quinta-feira (15).

O recuo marca uma virada no desempenho da instituição, pressionada por dois fatores principais: as novas regras contábeis do Conselho Monetário Nacional (CMN) e o avanço da inadimplência, sobretudo no agronegócio — setor em que o BB lidera o crédito.

Impacto regulatório: A mudança nas normas, em vigor desde janeiro, passou a exigir que os bancos reconheçam receitas de juros de operações em atraso (estágio 3, com mais de 90 dias) apenas quando o pagamento for efetivado. Com isso, o BB deixou de registrar cerca de R$ 1 bilhão em receitas de crédito no trimestre.

Além disso, a nova regra de provisão para perda esperada passou a basear-se em estimativas, afetando diretamente a contabilização de receitas e despesas financeiras.

Inadimplência em alta: A inadimplência geral do banco subiu para 3,86%, ante 3,32% no último trimestre de 2024 e 2,90% no primeiro trimestre do ano passado. O setor do agronegócio foi o mais afetado, com inadimplência chegando a 3,04% no fim de março, puxada por quebras de safra recentes e pela manutenção da taxa Selic em patamar elevado.

Projeções revistas: Diante do cenário, o Banco do Brasil informou que vai revisar suas projeções para 2025. Os números atualizados ainda não foram divulgados. Até fevereiro, a instituição esperava um lucro entre R$ 37 bilhões e R$ 41 bilhões no ano, com margem financeira bruta entre R$ 111 bilhões e R$ 115 bilhões e custo do crédito entre R$ 38 bilhões e R$ 42 bilhões.

Avanço no crédito: Apesar da pressão sobre o lucro, a carteira de crédito do BB cresceu. Em março, somava R$ 1,278 trilhão — alta de 1,1% no trimestre e de 14,4% em 12 meses. O destaque foi o crédito para empresas, que cresceu 22,4% em um ano, além da carteira de crédito sustentável, que chegou a R$ 393,5 bilhões.

No agronegócio, foram desembolsados R$ 174,5 bilhões em nove meses do Plano Safra 2024/2025. A carteira do setor cresceu 9% em 12 meses, mesmo com a elevação do risco de inadimplência.

Receita sob pressão: A receita com serviços caiu 9% no trimestre, mas apresenta leve alta de 0,2% na comparação anual. As despesas administrativas ficaram praticamente estáveis no trimestre (-0,1%), com aumento de 7% frente a março de 2024.

COMPARTILHE A NOTÍCIA

PUBLICIDADE

Confira Também

Cid admite disputar Senado e movimenta xadrez político de 2026 no Ceará

Mais um dia sem homicídio no Ceará: os efeitos políticos e eleitorais do fato

AtlasIntel: áudio de Vorcaro derruba Flávio e Lula dispara na corrida eleitoral

Vídeo: As marcas dos tiros no peito de Cid Gomes e o ruidoso silêncio de uma ruptura

Entre o discurso do colapso e alianças instáveis, Ciro tenta reconstruir seu poder no Ceará

Vídeo de Alcides liga Ciro ao núcleo de Flávio logo após caso Vorcaro

Relação de Flávio com Vorcaro faz Michelle entrar no radar presidencial

Alece vai batizar rodovia do Cumbuco com nome de Lúcio Brasileiro

AtlasIntel detecta erosão do “bônus nordestino” de Lula e acende alerta para 2026; Ceará é ponto importante

J&F, holding dos irmãos Batista, amplia presença no Ceará com compra de termelétrica em Maracanaú

Ciro voltará à disputa pelo Governo do Ceará após 36 anos

Queda da violência esvazia principal discurso da oposição no Ceará

MAIS LIDAS DO DIA

No data was found