Beto Studart: "muitos nos olham como o lobo a ser caçado"

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Por Nathália Bernardo
nathalia@focuspoder.com.br
“Muitos nos olham como o lobo a ser caçado, a vaca a ser ordenhada e poucos nos vêem como o cavalo que puxa a carruagem”. A afirmação é de Beto Studart, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), em referência à situação do empresariado brasileiro.
Em discurso no almoço de fim de ano da entidade, que teve como convidado Camilo Santana, o industrial citou a crise que o Brasil atravessa, a necessidade de ajustes na economia nacional e os avanços do Ceará, atribuindo ao governador o título de “precursor desse novo Brasil”.
Beto, cujo mandato se encerra em 2019, concluiu sua fala comemorando “a aculturação de um ambiente de transformação” na Fiec. “Esse conceito tem nos permitido sair do lugar comum e pensar à frente, ciente dos riscos a que estamos submetidos, mas com o olhar voltado às oportunidades que se apresentam”.
Confira íntegra do discurso de Beto Studart
Meus amigos,
Realizamos nesta data mais uma edição do “Almoço do Governador”, uma  confraternização entre o setor industrial cearense e o governador Camilo Santana.
Ressalto estarmos na quarta edição deste evento iniciado na atual gestão da FIEC como forma de estreitarmos e refletirmos juntos, a administração pública estadual e a indústria. Recordo ainda em 2015, primeiro ano deste encontro, a presteza e o cuidado dispensado pelo governador e sua equipe na análise das sugestões encaminhadas por meio da Agenda da Indústria. O documento foi entregue alguns meses antes de sua posse e diversas ações propostas foram acatadas.
Desde então, a relação mantida entre o Governo e o setor industrial têm se mantido em nível elevadíssimo, incluindo nesta parceria a academia, em um tripé que nos têm legado grandes avanços institucionais.
Hoje, ao findar o quarto ano de seu mandato, podemos dizer que muitas de nossas sugestões se tornaram realidade, como por exemplo, a transformação do Conselho de Desenvolvimento Econômico do Ceará, na bem-sucedida Secretaria do Desenvolvimento Econômico do Ceará- SDE, com a agregação de novas atribuições e órgãos.
Também cito a criação da Secretaria Estadual do Meio Ambiente – SEMA, fortalecendo as ações políticas ambientais no Ceará.
Outra ação encampada foi a ampliação da área alfandegada da ZPE, que vai permitir abrigar um maior número de empreendimentos, expandindo a vocação exportadora do setor produtivo cearense.
Destaco também a implementação de sugestões apresentadas à Lei do FIT, com o lançamento sistemático de editais para acesso aos recursos do fundo, via FUNCAP.
Na área de energia, o segmento recebeu estímulos ao desenvolvimento do setor de geração de energias renováveis com a isenção do ICMS na micro e mini geração distribuída.
No que diz respeito a este segmento, faço referência também ao apoio na elaboração atualizada do Atlas Eólico-Solarimétrico do Ceará, sob liderança da FIEC e apoio financeiro da ADECE e SEBRAE.
Destaco por oportuno a disponibilização de infraestrutura à implantação dos Polos Farmoquímico, em Guaiuba e de Saúde, no Eusébio.
Fruto dessa relação de proximidade na seara institucional, aponto com orgulho a ampliação da interlocução Governo/Setor Produtivo, por meio da institucionalização e consolidação das Câmaras Temáticas Setoriais, abrigadas na ADECE, proposta construída em conjunto com o Observatório da Indústria da FIEC, alinhando a atuação das câmaras com as rotas estratégicas e o Masterplan.
O novo modelo vai trabalhar com 21 câmaras. Desse total, a FIEC, que possui representação em quase todas, irá presidir três: Comércio Exterior, com a nossa amiga Roseane Medeiros, a de Logística, presidida por Heitor Studart, e de Energias Renováveis, tendo a frente Jurandir Picanço. Registro aqui, a competência e a capacidade do diretor da Adece, Eduardo Neves, na condução da articulação desse trabalho desenvolvido com a FIEC.
Governador,
O país vivencia uma das mais agudas crises econômicas de sua história penalizando toda a sociedade. A taxa de desemprego beira os 12% e a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto deste ano recuou para 1,30% na semana passada.
Quando somos impedidos de trabalhar por circunstâncias alheias à nossa vontade, as consequências diretas desses indicadores são sentidas na pele de todos nós, empresários, porque somos nós que geramos riqueza, criamos empregos.
O pior, Governador, é que muitos nos olham como o lobo a ser caçado, a vaca a ser ordenhada e poucos nos vêem como o cavalo que puxa a carruagem.
Para o próximo ano, temos perspectivas melhores conforme dados da Confederação Nacional da Indústria que indicam que a economia brasileira crescerá 2,7%, impulsionada pela expansão de 3% da indústria e de 6,5% do investimento. E o consumo das famílias deve aumentar 2,9%.
No entanto, para que isto verdadeiramente se confirme, será preciso fazer o ajuste nas contas públicas, avançar nas reformas  previdenciária e tributária, e adotar medidas para melhorar o ambiente de negócios, como a desburocratização. O senhor, como Governador do Ceará, pelas iniciativas recentes adotadas, já se torna precursor desse novo Brasil.
Meus amigos,
Não há outro caminho a ser seguido para a retomada do crescimento. Todos nós devemos nos unir em prol dessas medidas, porque todos estamos no mesmo barco.
Existe espaço para o crescimento sustentável, desde que seja efetivada a agenda das reformas há tanto tempo ansiadas pelos agentes econômicos. A roda da economia brasileira só vai girar, de fato, quando formos capazes de potencializar esse crescimento, trazendo de volta a confiança dos consumidores e a disposição dos empresários para investir e contratar.
Diferente do restante do Brasil, vemos no Ceará um ambiente favorável às transformações, apesar de sermos também fortemente influenciados pelo travamento da economia.
De todo modo, é preciso que se registrem os avanços alcançados na sua gestão, governador Camilo. Tivemos, por exemplo, a entrada em regime de operação da CSP, acrescendo em cerca de 100 % as exportações cearenses e elevando significativamente o nosso PIB. 
Graças a ousadia da equipe governamental, podemos relacionar outros ganhos expressivos, tais como a concessão federal do Aeroporto Internacional de Fortaleza, interligando 12 países em 48 frequências semanais. Tivemos também a finalização das negociações da parceria entre o Governo do Estado e um dos maiores serviços de logística portuária do mundo, na Holanda. Ressalto ainda a instalação da Angola Cables Brasil, com operação do cabo submarino de fibra ótica, ligando Fortaleza a Luanda, na África.
Outro aspecto a ser destacado é a melhoria no ambiente de negócios do setor de energias renováveis, com investimentos contratados em 2018, totalizando R$ 4,3 bilhões, em usinas solares e eólicas, e linhas de transmissão. 
Mas amigo Camilo, até mesmo o Ceará, que se apresenta de maneira singular em relação ao resto do país, não pode ficar a dormir em berço esplêndido.
É nesse sentido que a indústria louva a sua corajosa iniciativa ao propor a alteração da estrutura administrativa do Estado, extinguindo cargos comissionados e 25% das secretarias, com vistas a gerar mais eficiência à máquina pública e em consequência um melhor atendimento à população.
Governador,
A maioria dos estados brasileiros enfrenta dificuldades administrativas, que estão a exigir atitudes responsáveis no que diz respeito ao ajuste das contas públicas.
O Ceará vive um cenário diferenciado, com estimativa de PIB de 1,46% para este ano, acima do Brasil, e saldo de empregos satisfatório, em torno de 26 mil postos de trabalho. Mesmo assim, o senhor se antecipa aos demais entes federados, já se preparando para a nova conjuntura que pode surgir.  
A sua visão de gestão pública nos anima, por vermos uma confluência com o que acontece na iniciativa privada, onde um dos preceitos básicos é a gestão baseada na responsabilidade e  nos resultados. 
Quero então aproveitar para destacar um pouco da nossa contribuição como Sistema FIEC à sociedade cearense em 2018. No caso do SESI, nosso braço voltado à qualidade de vida do trabalhador da indústria, foram prestados 175 mil atendidos em saúde e 35 mil matrículas em educação.
Sobre o SENAI, somente na área de educação profissional em várias modalidades, foram mais de 50 mil matrículas.
Já o Centro Internacional de Negócios atendeu a mais de 300 empresas entre rodadas de negócios, missões e cursos.
O IEL, responsável na FIEC por cursos de alta gestão, capacitou cerca de 2.500 pessoas de 370 empresas.
Meus amigos,
Apresentei estes rápidos números como forma de mostrar dados objetivos, mas o mais importante a ser comemorado hoje na FIEC é a aculturação de um ambiente de transformação.
Esse conceito tem nos permitido sair do lugar comum e pensar à frente, ciente dos riscos a que estamos submetidos, mas com o olhar voltado às oportunidades que se apresentam.
Vejo a FIEC hoje como uma instituição preparada para os novos tempos, nos quais os desafios serão maiores e mais difíceis, e que exigirão de cada pessoa aptidões múltiplas, poucas certezas e muita estratégia.
Para que isso fosse alcançado enfrentamos caminhos sinuosos, não nego, mas superamos e posso dizer que estamos mais pertos do que nunca de alcançarmos ao que nos propomos.
Um dos grandes legados dessa trajetória é o Observatório da Indústria, instrumento que tenho certeza, irá oferecer um novo modelo ao Ceará de pensar estrategicamente.
Meu amigo Camilo Santana,
Caminhamos juntos nesta sua primeira gestão e dentro do que nos foi permitido, procuramos dar a nossa contribuição ao Ceará, porque nós industriais ligados à FIEC, sabemos que ninguém é forte sozinho. Quis o destino que o senhor e sua equipe entendessem isso e a história deixará como marca os frutos dessa relação. 
Mas o tempo não pára. O senhor foi brilhantemente reeleito e os desafios são outros e talvez até mais intensos. Nós aqui, continuamos torcendo pelo seu sucesso, que por consequência será o do Ceará e de seu povo. Nesse sentido, tomamos mais uma vez a liberdade para dar a nossa contribuição com o documento “Agenda da Indústria 2019/2022”, com o qual esperamos estar novamente trilhando ao seu lado, os caminhos que possam levar o Ceará a continuar sendo uma referência nacional.

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