Bitcoin e seu paradoxo

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Por André Parente*
parente@abreueparente.com
O mercado de criptomoedas passou por uma baixa significativa nos últimos dias, seu ativo mais popular, o bitcoin, chegou a derreter neste pequeno intervalo. Interessante destacar que outras moedas se valorizaram com essa queda, como foi o caso da Ripple/XRP. O que poucas pessoas entendem é que, geralmente, essas moedas estão atreladas a grandes projetos que financiam o uso da tecnologia em diversos setores da economia, como na produção industrial, hospitalares, bancários, educacionais, entre outros.
Podemos fazer uma analogia ao mercado de capitais, na medida em que o investidor, ao optar por determinada ação de uma empresa, entende que aquele ativo representa a utilidade e sucesso daquela empresa na economia.
O mercado das criptomoedas não foge a essa regra, pois ao lançarem suas moedas, as empresas estão buscando um financiamento ao seus projetos, e dependendo do sucesso do projeto, essas moedas poderão valorizar-se como ouro.
Então, para entendermos a queda da bitcoin e outras moedas que usam “seu” blockchain temos que entender que existe um conflito de interesse entre programadores, mineradores e empresas que fazem corretagem desses ativos.
O bitcoin foi o pioneiro a usar a tecnologia blockchain, entretanto o grupo originário do bitcoin possui dois grandes grupos de programadores, uns mais libertários que querem o anonimato total das transações e aqueles que acreditam que o bitcoin pode incorporar outras funções como os smarts contracts, um protocolo de computador auto executável, criado com a popularização das criptomoedas, feito para facilitar e reforçar a negociação ou desempenho de um contrato, proporcionando confiabilidade em transações online.
Os simpatizantes com a ideia de que o Bitcoin deveria servir como uma rede de pagamentos, acreditam num cenário em que a moeda seja utilizada cotidianamente ao redor do mundo, de maneira similar à VISA/MasterCard.
De maneira obstante, os apoiadores da teoria de equivalência entre Ouro e Bitcoin sugerem que a característica que melhor define a moeda é como Reserva de Valor, e não seu uso cotidiano.
O problema é que quando acontecem uma ruptura de um projeto, quando uma forck é executada, onde uma espécie de “atualização” do sistema é realizada, divide-se os códigos entre a versão original e a atualizada. No dia 14 de Novembro houve uma hard fork na bitcoin cash. Os motivos desse atualização dos códigos foram bem mais do que a simples diferença conceitual, envolvia o controle sobre mineradoras de dados, financiamentos de super computadores e controle do mercado.
Enquanto econômica mundial passa por um grande teste, China e Estados Unidos não escondem mais suas insatisfações comerciais. Esses dois gigantes ensaiam medidas financeiras perigosas.
Os Estados Unidos, apesar do crescimento do PIB, até o momento não consegue equilibrar suas contas e sofre uma desdolarização do barril do petróleo.  Já a China atingiu um crescimento que tende a se estabilizar em níveis de economias maduras, e vive um dilema de crescer sem a dependência do investimento estatal como fonte de oferta e demanda.
Nesse cenário, o capital tende a procurar segurança e estabilidade. Tanto é verdade que a bolsa americana sofreram periódicas baixas. Imaginem agora, acordar no ultimo dia do ano para resgatar seus ganhos da bolsa americana e perceber que a bitcoin cash poderia sumir do mapa, devido a guerra criada entre dois grandes grupos do ecossistema das criptos. Pois bem, caiu como uma luva para os especuladores a união desses fatores, para piorar, como tratam-se de grandes investidores, leia-se bancos e players do sistema financeiro, especula-se que alguns resolveram manipular o mercado no intuito de baixar ao máximo o valor das criptos.
No intuito de inibir essas praticas e dar uma maior segurança aos investidores institucionais, vários países não medem esforços em regularizar este ecossistema das criptomoedas.  A SIX Swiss Exchange, operadora e proprietária da principal bolsa de valores da Suíça, lançou ETP (Produtos Negociados em Bolsa) para criptomoedas, como o bitcoin, riplley, ethereum , entre outras. Hany Rashwan, CEO e cofundador da Amun, disse que o derivativo cumprirá os mesmos padrões exigidos por outros “produtos tradicionais negociados em bolsa amplamente utilizados pelos investidores”.
O Ping An Bank, uma subsidiária do Ping An Insurance Group da China, lançará um banco butique usando blockchain, serviços em nuvem e Internet das Coisas (IoT). O Ping An Insurance Group é uma das principais empresas financeiras e de seguros do mundo, e o anúncio de sua subsidiária foi divulgado em 20 de novembro pelo People’s Daily, o serviço oficial de imprensa estatal da China.
A plataforma de ativos digitais Bakkt, criada pela operadora da Bolsa de Valores de Nova York (NYSE), anunciou em uma postagem no Medium em 24 de novembro que eles agora estão “visando” 24 de janeiro de 2019 como data de lançamento.
A publicação de hoje do Medium observa que, “dado o volume de interesse em Bakkt e o trabalho necessário para colocar todas as peças no lugar”, a empresa estabeleceu a data de início em 24 de janeiro de 2019 para “garantir que nossos participantes estejam prontos para comércio no dia 1. ”
Portanto, este não é o fim das criptomoedas, como alguns festejam. A tecnologia por traz das criptomoedas garantem seu futuro promissor. Acontece que como tudo na vida, exige o tempo de maturação para que as pessoas entendam essa quebra de paradigma. Assim, como toda a mudança cultural que essas novas tecnologias exigem.

*André Parente é advogado, CEO da Cryptomoneyjus Compliance, especialista em Direito da Tecnologia. Escreve mensalmente para Focus.jor sobre Direito e Tecnologia. Email:  consultoria@cryptomoneyjus.com

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