Brasil: o País da Advocacia. Por Camilla Goes

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Camilla Goes é advogada, sócia do escritório Imaculada Gordiano Sociedade de Advogados

Por Camilla Goes
Post convidado

Somos o país que mais fomenta a Advocacia no mundo: temos a maior proporção de advogados por habitantes (1 advogado para cada 156 cidadãos), conforme recente estudo da nossa OAB nacional; tratamos a advocacia na Constituição Federal (única profissão privada definida na Lei Maior) e permitimos o igual exercício profissional tanto a advogados recém-formados quanto aos que já possuem décadas de experiência (única condição sine qua non é a inscrição nos quadros da OAB – Ordem dos Advogados do Brasil).

É comum que o crescente número de profissionais advogados, aliado ao status constitucional da profissão e ao exercício imediato das prerrogativas possam trazer sentimentos de receio e preocupação. Contudo, isso somente acontece se associarmos a Advocacia exclusivamente a problemas.

Precisamos romper com essa crença limitante.

O Constituinte brasileiro já entendia que a garantia do desenvolvimento social e da democracia do nosso País somente poderia ocorrer com a atuação indispensável dos Advogados. Esse é o real motivo para que uma profissão privada seja constitucionalmente prevista, protegida e respeitada.

Ocorre que nossa Constituição é recente (1988) se comparada a origem dessa profissão secular e que, desde os seus primórdios, sempre definiu e consagrou como melhores advogados aqueles que possuíam mais combatividade em suas atuações processuais. Compreensivo, portanto, a associação quase automática de advogados a problemas e ao receio que o número crescente de advogados nos causa: será que somos um país problemático?

Então, durante muito tempo, mesmo após a vigência da nossa atual Constituição, perpetuava-se no imaginário social (e profissional) que o valor do advogado somente se consistia na vitória processual.

No entanto, a eterna crise do direito processual já demonstrou que essa referência foi um grande engano ao analisarmos a espiral de processos judiciais que, embora vitoriosos, não possuem celeridade nem efetividade!

Afinal, a quem interessa um direito reconhecido de forma tardia?

Empoderada e fortalecida na sua missão constitucional, a advocacia experimenta a primavera de sua autonomia, ampliando sua atuação e a tornando indispensável não apenas para a administração da Justiça, mas para toda a sociedade.

A advocacia, de forma madura, finca sua presença agora nas relações sociais como garantidora da transparência, da boa-fé, da prosperidade coletiva e da eterna efetivação da Justiça.

Em um País tão envolto de conflitos, tanto números quanto complexos, os advogados são profissionais capazes de unir as pontas e descontruir o estereótipo que os nossos conflitos sociais são sempre problemas a serem judicializados.

O nosso País atravessa crises políticas, econômicas e sociais que exigem novos olhares e novos modelos de gestão de conflitos, os quais devem ser compatíveis com a nossa atual realidade: a geração do respeito à diversidade.

E, se pensarmos em diversidade, na profundidade que realmente temos e somos a nível Brasil, não é demais dizer que um advogado para cada 156 brasileiros é resultado da grandeza que somos e significamos para a prosperidade.

É aceitar que um advogado é essencial para tornar 156 pessoas mais satisfeitas com suas questões, mais seguras com seus direitos e mais conscientes de suas diferenças.

Ao aceitarmos a nova realidade de atuação profissional, superamos paradigmas históricos sendo o mais profundo deles aquele que associa o advogado a problema.

Afinal, ter um advogado é exatamente o contrário: é garantir que todo problema que se apresentar durante sua vida terá uma solução.

E ser advogado, no Brasil, é ser essa solução.

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