Correios registram prejuízo de R$ 2,16 bilhões em 2024 com impacto da “taxa das blusinhas”

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O fato: Os Correios projetam um prejuízo de R$ 2,16 bilhões em 2024, atribuído diretamente à tributação simplificada sobre remessas internacionais – a chamada “taxa das blusinhas”. A medida, aprovada pelo Congresso e implementada pelo Ministério da Fazenda em junho de 2023, reduziu drasticamente a arrecadação da estatal com o transporte de mercadorias importadas da China.

A expectativa inicial da empresa era faturar R$ 5,9 bilhões com esse serviço em 2024. No entanto, o valor efetivamente arrecadado foi de R$ 3,7 bilhões, uma queda de R$ 2,2 bilhões (37%). Mesmo após revisão da projeção para R$ 4,9 bilhões, o resultado final ficou R$ 1,7 bilhão abaixo do esperado.

Presidente dos Correios critica impacto: O presidente da estatal, Fabiano Silva, comentou os resultados durante evento na Câmara dos Deputados. Segundo ele, a nova taxação frustrou as expectativas de receita, resultando em prejuízo direto para a empresa.

Outro fator apontado foi a abertura do mercado de transporte internacional para empresas privadas, o que reduziu a participação dos Correios no segmento de 98% para 30% em janeiro deste ano.

Tentativa de reverter decreto: Diante da perda de receita, os Correios tentam modificar o decreto que regulamenta a tributação de compras internacionais. O objetivo é recuperar parte do mercado perdido com a nova regra, que passou a tributar compras de até US$ 50 feitas em plataformas estrangeiras.

Déficit e cenário financeiro: O impacto da “taxa das blusinhas” também refletiu no resultado geral da empresa. No final de janeiro, o Ministério da Gestão e Inovação apontou os Correios como um dos principais responsáveis pelo aumento do déficit das estatais, que chegou a R$ 3,2 bilhões em 2024.

A estatal ainda enfrenta as consequências da inclusão no Plano Nacional de Desestatização durante o governo Bolsonaro, o que, segundo o atual governo, paralisou investimentos e reestruturações internas.

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