Crédito para veículos cai 4% no 1º trimestre; risco de ajuste contábil pressiona locadoras

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Foto Rafa Neddermeyer/ Agência Brasil

O fato: O crédito para a compra de veículos novos encolheu 4% no primeiro trimestre deste ano, somando R$ 58 bilhões, segundo dados da Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef). A retração ocorre em meio ao avanço da inadimplência, que saltou de 3,6% para 5,6% no intervalo de doze meses, e ao impacto da taxa de juros elevada, hoje em 14,75% ao ano.

Principal modalidade de financiamento, o Crédito Direto ao Consumidor (CDC) recuou 5%, movimentando R$ 57 bilhões. “A taxa de juros tem limitado o acesso ao financiamento, derrubando o valor médio das operações”, afirmou Enílson Sales, presidente da Anef, à Autodata. Mesmo sob esse quadro, o saldo total das carteiras financiadas subiu 15% na comparação anual, alcançando R$ 494 bilhões.

Ações de locadoras sobem, mas cenário impõe cautela: Apesar da retração no crédito, as ações das principais locadoras avançavam nesta terça-feira (27). Por volta das 13h (horário de Brasília), Localiza (RENT3) subia 4,80%, cotada a R$ 42,81, enquanto Movida (MOVI3) registrava alta de 4,39%, a R$ 7,13.

O Bradesco BBI, porém, alerta: a desaceleração do crédito sinaliza riscos para empresas do setor. Em relatório enviado ao mercado, o banco destaca que a redução na liquidez do mercado de seminovos pode pressionar a renovação de frotas, elevar o custo de capital e aumentar as despesas com depreciação. “O encarecimento do capital e a menor velocidade de venda dos usados ampliam o risco de ajustes contábeis nas linhas de resultado”, afirmam os analistas.

Pressão sobre rentabilidade e estratégia mais conservadora: O BBI mantém recomendação de compra para as ações de Localiza e Movida, com preços-alvo de R$ 56 e R$ 8, respectivamente, ambos acima dos valores atuais de negociação. Contudo, os estrategistas reforçam que o ambiente de crédito mais restrito pode forçar uma postura mais conservadora das locadoras nas aquisições de novos ativos.

A elasticidade da demanda por seminovos tende a diminuir quando o financiamento ao consumidor perde força, criando um ambiente menos favorável para a rotação de veículos”, apontam.

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