Datafolha aponta força do antipetismo, mas não do cirismo

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A pesquisa de intenção de votos para o governo do Ceará, realizada pelo DataFolha e publicada pelo grupo O Povo de comunicação nesta segunda (23/03) trouxe notícias boas e preocupantes para todos os gostos.

Ter Ciro Gomes (PSDB) à frente do governador Elmano de Freitas (PT) produz expectativa na oposição, afinal de contas, liderar uma pesquisa à frente do mandatário não é pra qualquer um. Na pesquisa estimulada, Ciro tem 47% e Elmano 32%. Junte-se a isso a rejeição de Ciro ser menor do que a de Elmano (28 contra 16%).  E, para completar, num eventual segundo turno, Ciro vence Elmano: 56 a 37%.

Por sua vez, ter o governo e o governador bem avaliados traz doses maiores de esperança para o trabalho que se desenrolará durante a campanha: juntando-se “ótimo/bom” (39%) e “regular” (33%), o governo Elmano tem aprovação de 71% dos entrevistados (os que o consideram “ruim e péssimo” são apenas 24%); por sua vez, são 60% os que aprovam pessoalmente Elmano, ficando em 34% os que o desaprovam.

Mas, como entender os (bons) números de Ciro?

O tucano tem sua fortaleza de intenção de votos assim distribuída: 49% dos homens, 53% entre 25 e 43 anos e 51% entre 35 e 44 anos, 50% de quem tem nível superior, 49% entre quem ganha entre 2 e 5 salários mínimos e 56% entre evangélicos.

Vejamos quem desaprova Elmano : 29% dos homens, 63% entre 25 e 44 anos, 34% com nível superior, 43% dos que ganham mais de 5 salários, 29% dos que moram na RMF e 30% dos evangélicos.

Por sua vez, seu governo é desaprovado por: 43% dos homens, 47% entre 25 e 24 anos, 45% de quem tem nível superior, 47% dos que ganham mais de 5 salários, 40% de quem mora na RMF e 45% dos evangélicos.

Parece, pois, que o que a pesquisa detectou (mais do que avaliação de governo, do governo e intenção de voto) foram as dimensões de um certo antipetismo, ou cansaço da temporalidade política, mais do que a força de Ciro. É que os segmentos em que Ciro parece forte são exatamente aqueles que mais têm rejeitado o petismo, e o contrário também é verdade – Elmano é forte onde o petismo o é.

Não temos, ainda, um cirismo. Ciro e a oposição parecem estar reféns do antipetismo que, lembremos, não é lá tão forte por aqui.

Para completar a má notícia para a oposição (não tanto para Ciro), a preço de hoje: Lula (41%), Camilo (39%) e Cid (37%) são os melhores cabos eleitorais – e marcharão com Elmano; Tasso (24%), com Ciro, não faz tanta diferença; e Bolsonaro, baluarte da oposição, que estará com Ciro, é quem atrapalha mais o voto, levando 64% dos entrevistados a não votarem de jeito nenhum em um seu indicado.

Primeira pesquisa, águas de março chegando, e passando. Vamos ver no que dará o movimento.

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