Dengue: reflexões e desafios da saúde no Século 21. Por Álvaro Madeira Neto

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Alváro Madeira Neto é médico sanitarista e gestor em Saúde. Foto: Divulgação

Enquanto nos preparamos para mais um período chuvoso no Brasil, que vai de novembro a maio, somos novamente confrontados com um de nossos adversários mais persistentes na saúde pública: a dengue. A celebração do Dia Nacional de Combate à Dengue, em 18 de novembro, mais do que um marco, é um chamado à reflexão sobre nossa luta contínua contra esta arbovirose.

O Brasil, um palco amplo para o Aedes aegypti, enfrenta um desafio imenso. Em 2023, ultrapassamos a marca de 1,6 milhão de casos prováveis de dengue até outubro de 2023, um aumento de 21,4% em relação ao ano anterior.

Este número não é apenas uma estatística; ele representa milhões de histórias individuais, famílias afetadas e comunidades desestabilizadas. A dengue, transcende a sua característica de doença viral. Ela é um espelho que reflete as desigualdades sociais e econômicas, as falhas urbanísticas e a fragilidade dos sistemas de saúde.

Os criadouros do mosquito, frequentemente encontrados em depósitos de água domésticos, não são meros pontos de reprodução. Eles são sintomas de uma infraestrutura inadequada e da falta de acesso a serviços básicos.

O ciclo de vida do Aedes, com ovos capazes de resistir à seca por um ano, é uma metáfora para a persistência dos problemas de saúde pública que enfrentamos. O combate à dengue exige mais do que ações pontuais; necessita de uma mudança contínua na forma como lidamos com o meio ambiente e com nossas comunidades.

As iniciativas do Ministério da Saúde, incluindo a instalação do Centro de Operações de Emergências Arboviroses e os investimentos de R$ 295 milhões em 2023 para viabilizar a aquisição e distribuição de insumos para o controle do vetor, são passos louváveis. No entanto, devem ser parte de uma solução maior, que envolva a conscientização e a participação ativa da população.

A queda significativa nos casos de dengue observada em certos períodos de 2023 mostra que é possível reverter este quadro, mas tal sucesso é frágil e demanda vigilância constante.

Olhando para o futuro, devemos entender que a luta contra a dengue é um reflexo de nosso compromisso com a saúde pública. Ela é uma batalha diária, travada não apenas com inseticidas e políticas de saúde, mas também com educação, melhorias nas condições de vida e uma profunda reflexão sobre a sociedade que estamos construindo.

Ao lembrarmos do Dia Nacional de Combate à Dengue, façamos mais do que reconhecer uma data; busquemos entender as lições que ela nos traz. É essencial que cada um de nós, como parte de uma comunidade maior, contribua para a construção de uma nação fundamentada na lógica de promoção universal de saúde, com princípios de integralidade, universalidade e equidade. Esta é a direção para um futuro mais saudável e justo.

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