Dólar cai pelo 2º pregão seguido com sinal do Banco do Japão

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Foto: Freepik

O dólar emendou hoje o segundo pregão consecutivo de queda firme no mercado doméstico de câmbio e fechou abaixo de R$ 5,65 pela primeira vez em agosto. O real e seus pares latino-americanos foram beneficiados por nova rodada de queda do iene, após declarações do vice-presidente do Banco do Japão (BoJ), Shinichi Uchida, de que não haverá nova alta de juros enquanto os mercados se mantiveram instáveis.

Pela manhã, a divisa chegou até a furar o piso de R$ 5,60 e registrou mínima a R$ 5,5976, em sintonia com a diminuição da aversão ao risco no exterior, refletida na queda do VIX, conhecido como “termômetro do medo”. Dados da balança comercial chinesa contribuíram para a valorização das moedas de exportadores de commodities, ao mostrar crescimento de 7,2 das importações em julho (na comparação anual), bem acima da expectativa (3%).

Ao longo da tarde, com o VIX zerando a queda vista mais cedo e as bolsas em NY em terreno negativo, em razão das perdas das big techs, o dólar reduziu a queda. Com máxima a R$ 5,6406, a moeda fechou em baixa de 0,57%, a R$ 5,6250. Com isso, o dólar passa a acumular desvalorização de 0,54% nos cinco primeiros pregões do mês.

Entre as moedas latino-americanas, destaque para os ganhos de mais de 1,5% do peso mexicano em relação ao dólar. Ontem, o real havia apresentando o melhor desempenho entre seus pares, em razão do tom duro da ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que deixou a porta aberta para uma eventual retomada do ciclo de alta da taxa Selic.

Para o economista-chefe da Frente Corretora, Fabrizio Velloni, além de o BoJ ter vindo a público tentar acalmar os mercados, o real se beneficia de um movimento de correção após uma “reação exagerada” à safra recente de indicadores americanos, em especial o payroll de julho, divulgado na sexta-feira, 2. Os temores de uma recessão nos EUA provocaram uma onda de aversão ao risco, levando até a especulações de que o Federal Reserve poderia se reunir de forma extraordinária para uma redução antecipada da taxa de juros.

“A desaceleração da economia americana demorou mais do que o esperado, mas houve um exagero com a precificação de recessão. O mercado acabou pesando demais a mão e agora está passando por uma fase de ajustes, com as moedas emergentes recuperando parte das perdas”, afirma Velloni, para quem, mesmo com o ambiente externo mais calmo, o real tende a ter um comportamento mais volátil por razões domésticas. “Temos ainda o problema fiscal e um cenário que não é mais de corte da Selic. É preciso ver como o governo vai lidar com isso”.

Economistas do Bradesco afirmam que o fato de o real ter apresentado desempenho inferior a de pares na média dos últimos meses pode ser atribuído ao “acúmulo de ruídos fiscais e políticos, incertezas quanto à condução da política monetária no próximo ano e dúvidas sobre a sustentabilidade do arcabouço fiscal”.

“Em nossos modelos estruturais, o câmbio deveria convergir para R$ 5,00 no equilíbrio de médio prazo. Mas esses modelos baseados em fundamentos podem indicar um equilíbrio que demora a ser atingido. No curto prazo, incertezas e questões técnicas podem se sobrepor aos fundamentos”, afirma o banco.

À tarde, o Banco Central informou que o fluxo cambial total em julho foi positivo em US$ 1,743 bilhão, segundo dados preliminares. A entrada líquida de US$ 5,046 bilhões via comércio exterior sobrepujou a saída líquida de US$ 3,302 bilhões pelo canal financeiro. Em junho, o fluxo foi positivo em US$ 5,603 bilhões.

Agência Estado 

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