Eleições em Fortaleza, união entre Lula e Ciro e impeachment de Bolsonaro: veja alguns trechos da entrevista de Camilo no Roda Viva

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Governador Camilo Santana foi o entrevistado do Roda Vida de ontem, 8. Foto: Divulgação

Equipe Focus.Jor
focus@focuspoder.com.br

Ao conceder entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, o governador Camilo Santana respondeu alguns temas que até então não haviam sido discutidos, dentre eles as eleições em Fortaleza e uma possível reaproximação entre Ciro e Lula. Abaixo, o Focus.Jor pontou alguns trechos da conversa realizada na noite de ontem, 8.

Camilo sobre o relacionamento com a Polícia e o movimento dos policiais

Construí o maior programa de valorização da Polícia Militar e Bombeiros dos Estados. Dei reajuste, compromisso meu de campanha, fiz concursos e contratei mais de 10 mil profissionais da área da segurança. Sempre tenho mantido uma relação de diálogo com essa categoria. Foi uma surpresa, pois vínhamos negociando, em um momento de crise que vive os Estados brasileiros, tínhamos acabado de negociar uma autorização que representava R$ 500 milhões até 2022 de aumento salarial para a Polícia Militar e Corpo de Bombeiros. Inclusive, um policial, um PM no Ceará, ganha mais que um soldado em São Paulo.

Eleições 2020

Vamos ter tempo para discutir as eleições na Capital (Fortaleza). O momento tem exigido da minha pessoa toda dedicação ao enfrentamento à pandemia. Lembrando que é a maior crise sanitária. Teremos o momento certo para discutir as eleições em Fortaleza e nos municípios cearenses. O que eu sempre vou defender, a importância, temos mais convergências do que divergências. O PT, o PDT, o PSB e vários partidos fazem uma frente de apoio ao meu governo no Ceará. Então, o que eu puder fazer para o arco de alianças, para o bem de Fortaleza, nós vamos trabalhar, e no máximo possível de municípios. Repito teremos tempo para esse diálogo no Estado.

Adiamento do pleito

Isso vai depender da forma que a pandemia está se dando no Estado. Será muito difícil realizar as eleições no início de outubro. Tem tempo de prazos de convenções, como se adaptar a essa nova forma. Após a pandemia, o mundo será outro. Acho que será necessário estender um pouco ainda as eleições. É o que o Tribunal Superior Eleitoral tem discutido com o Congresso. Mas, acredito que a eleição seja ainda em 2020.

Acordo entre PT e PDT para disputa em Fortaleza

Sou um otimista. Acho que pelo bem de Fortaleza, pelo bem da democracia, seria importante uma aliança aqui em Fortaleza. Se isso irá ocorrer, só o tempo dirá. Eu continuarei na minha crença na possibilidade na construção de uma aliança em Fortaleza.

Manifestações autoritárias com participação de Bolsonaro

Precisamos ter cuidado. Pelas manifestações, que o presidente da República tem tomado de apoiar e participar de movimentos que defendem o fechamento do Congresso, que defendem o fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF), que defendem o AI-5, a retomada da ditadura (…) Os brasileiros que acreditam na força da democracia, precisam reagir. Reagiremos a qualquer manifestação de autoritarismo e tentativa de calar o povo brasileiro. Temos a obrigação e papel de resistir a democracia nesse País conquistada a duras penas. Foram homens e mulheres que morreram para defender a liberdade do povo brasileiro. É fundamental a união e respeito às instituições brasileiras.

Aproximação entre Lula e Ciro

Primeiro eu tenho uma admiração grande pelos dois. O presidente Lula, da redemocratização para cá, foi o melhor presidente que esse País já teve, é uma grande liderança política. Da mesma forma que o Ciro Gomes. É uma das maiores inteligências que eu conheço desse País e que eu torço, e o que eu puder fazer para aproximá-los, uni-los em um projeto nacional para esse País, eu farei. Tenho nos dois uma admiração e respeito. Acho que os dois têm muito a colaborar com o nosso Brasil.

Papel do presidente Bolsonaro na pandemia

Um presidente da República, com todo o respeito, deveria estar liderando esse processo em todo o País. Ele que tinha que ser coordenador disso, chamar os estados e municípios para construir essas ações. É muito complicado. Um governador toma uma decisão do isolamento social e vai o presidente para rua, dizer que as pessoas precisam ir para a rua, que não usa uma máscara. Isso está errado. O povo brasileiro está sendo pressionado da forma como está sendo conduzido esse processo no País.

Impeachment de Bolsonaro

Acho que remédio para governo ruim é pressão popular. Impeachment é o extremo e precisa ter motivos legais como diz a Constituição. Eu acho que o momento pressão popular e temos uma eleição a dois anos e meio. É muito ruim o impeachment para o Brasil, desde o início do Governo da presidente Dilma, o Brasil tem sofrido com essa briga constante, essa polarização constante. Eu acho que esse deva ser o único caminho para a população possa reagir e defender os seus interesses.

“Golpe” contra Dilma x impeachment de Bolsonaro

O PT tem colocado que o processo contra a presidenta Dilma foi um golpe. Qual foi o erro que ela cometeu durante seu segundo governo? Nós tínhamos as pedaladas fiscais e isso era comum, vários governos realizaram, depois o próprio Congresso validou, e ficou claramente que havia um esforço de um movimento político pela queda da presidenta. Por isso que se diz que foi um golpe naquele momento. Por isso que eu defendo, com muito cuidado, nesse momento, em defender o impeachment do atual presidente. Impeachment é um remédio extremo. É um momento que não é bom para o País. Claro que se as denúncias comprovarem que há ilicitude, desvio de função, não só do presidente, mas de qualquer um, aí sim cabe ao Congresso Nacional discutir o processo de impeachment.

Ao ser questionado sobre o avanço da criminalidade no Estado, Camilo pediu uma coordenação nacional.

É um problema nacional, não só do Ceará. Eu defendo que haja uma coordenação nacional. Que a gente possa ultrapassar as divisas dos Estados. O que eu tenho feito é todo um esforço. Nesse um ano e praticamente cinco meses, nesse meu segundo mandato como governador, eu recebi R$ 10 milhões do Governo Federal esse ano (2020). Nós governadores precisamos entrar na Justiça para receber recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública criado pelo presidente Temer no final de 2018.

Abaixo, a entrevista de Camilo ao Roda Viva

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