
Por Fábio Campos
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Da esquerda á direita, passando pelo solene centro, já temos um amontoado de vilões nacionais. Criamos agora um vilão global. Jair Bolsonaro resolveu, mais uma vez, remoer memórias paternas. Dessa vez, atacou o pai da ex-presidente do Chile, Michele Bachellet, hoje alta comissária da ONU na área de direitos humanos. Seu pai, Alberto Bachelet foi um general da Força Aérea do Chile, opositor do golpe militar liderado por Augusto Pinochet em setembro de 1973.
Diante da declaração de Bachelet de que os espaços democráticos no Brasil haviam sido reduzidos (por enquanto, apenas uma bobagem inconsequente, diga-se), o presidente do Brasil mandou essa: “Ela agora vai na agenda de direitos humanos. Está acusando que eu não estou punindo policiais que estão matando muita gente no Brasil. Essa é a acusação dela. Ela está defendendo direitos humanos de vagabundos”.
Não ficou nisso. O nosso valente comandante, mandou mais essa: “E ela diz mais ainda. Critica dizendo que o Brasil está perdendo o seu espaço democrático. Senhora Michelle Bachelet, se não fosse o pessoal do Pinochet derrotar a esquerda em 73, entre eles o seu pai, hoje o Chile seria uma Cuba. Acho que não preciso falar mais nada para ela”.
Esse itinerário inabilidoso e troglodita, típico dos anos de 1960-70, não tem outro caminho que não seja PT: Perda Total (considere-se também o trocadilho). Claro que a resultante imediata é uma crise diplomática com um país amigo, vizinho e com uma economia exemplar para o Brasil varonil cansado do estatismo doentio.
Alberto Bachelet foi preso e torturado pela ditadura e morreu em 1974, aos 50 anos. Já se foram 45 anos. A própria Bachelet, então muito jovem, foi presa nos porões de Pinochet. A grosseria e insensibilidade de nosso presidente não tem fronteiras.
Bachelet deveria ter dito o que disse? Bom, Isso é outra conversa. Não faltam respostas adequadas a dar. No entanto, Bolsonaro sempre opta por ser Bolsonaro. Quanto a isso, não há exatamente uma surpresa.







