Esquerda e Direita. Por Igor Lucena

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Articulista do Focus, Igor Macedo de Lucena é economista e empresário. Professor do curso de Ciências Econômicas da UniFanor Wyden; Fellow Associate of the Chatham House – the Royal Institute of International Affairs  e Membre Associé du IFRI – Institut Français des Relations Internationales.

Antes de começar a escrever este artigo, gostaria de ressaltar que me considero uma pessoa de centro-direita. Comungo de diversas ideologias liberais sob o ponto de vista econômico, mas entendo a necessidade do governo em vários aspectos da vida cotidiana, por isso também abomino o tal “libertarismo”. Acredito que o centro é sempre o melhor caminho para resolver os problemas.

Com os ânimos acirrados e a campanha presidencial ‘batendo em nossa porta’, aumentam dia a dia os debates entre os que são de “esquerda” e os que são de “direita”, mas ao mesmo tempo torna-se notório para mim que muitas das pessoas que proferem sobre esses temas não entendem bem seu sentido, alguns se dizem de um lado ou de outro sem comungar dos seus princípios, e em muitos casos vemos coisas como o “comunismo” sendo considerado um sinônimo de “esquerda”, o que deve ser considerado falso. Do mesmo modo, o termo “direita” não deve ser considerado sinônimo de “fascismo”.

Essa errônea análise se dá devido a uma breve análise histórica e pontual. O governo da Rússia pós-1917 era um governo de esquerda e comunista. Já o governo da Alemanha pós-1933 era um governo de direita e fascista, entretanto nem sempre esses elementos ‘andam’ lado a lado.

Analisando o contexto, é importante lembrar que vivemos em um planeta em que boa parte dos países possui o que chamamos de bases democráticas, e que essas nações são administradas por governos de esquerda, de direita ou de centro. Contudo, todas as tendências políticas têm sua base no liberalismo econômico e político, e são, em sua grande maioria, oriundas da revolução francesa e da revolução americana.

Dito isso, torna-se fácil afirmarmos que existem governos liberais de direita como ocorre na Alemanha e no Reino Unido. De maneira análoga, existem governos liberais e de esquerda como ocorre em Portugal e na Nova Zelândia. Reparem que nenhum desses governos tem algum tipo de semelhança com o fascismo ou o comunismo.

De maneira simples, governos de direita são caracterizados por terem uma visão de que certas ordens e hierarquias sociais são inevitáveis, naturais, normais ou até desejáveis, normalmente apoiando essa posição baseados na lei natural, na economia ou na tradição seletiva. A hierarquia e a desigualdade podem ser consideradas resultados naturais das diferenças sociais tradicionais ou da competição nas economias de mercado.

Governos de esquerda apoiam a igualdade social e o igualitarismo, muitas vezes em oposição à hierarquia social. A política de esquerda tipicamente envolve uma preocupação com cidadãos da sociedade em que seus adeptos são percebidos como desfavorecidos em relação a outros, bem como a crença de que existem desigualdades injustificadas que precisam ser reduzidas ou abolidas.

Enquanto isso, o centrismo é uma perspectiva ou uma posição política que envolve aceitação ou apoio para um equilíbrio de igualdade social, mas também a existência de um considerável grau de hierarquia social, enquanto se opõe a mudanças políticas que resultam em uma mudança significativa da sociedade para a esquerda ou para a direita. No Brasil, muitas vezes é um pêndulo para impedir arroubos autoritários. Aqui, o famoso “centrão” coopera para que haja esse equilíbrio.

Por outro lado, o comunismo é uma ideologia e um movimento filosófico, social, político e econômico, cujo objetivo final é o estabelecimento de uma sociedade comunista; ou seja, é uma ordem socioeconômica estruturada em relação às ideias de propriedade comum dos meios de produção com a inexistência de classes sociais, dinheiro, e, em alguns casos, do próprio Estado. Por isso se alinha aos pensamentos de esquerda, mas na prática as tentativas de implantação do comunismo se traduziram em ditaduras sanguinárias ao longo da história, mostrando que o sistema é, na prática, impossível de ser implementado.

O fascismo é uma forma de ultranacionalismo autoritário de extrema direita, que é caracterizado pelo poder ditatorial, pela supressão forçada da oposição e pela forte arregimentação da sociedade e da economia, que ganhou destaque na Europa do início do século XX. Seu sucesso parcial se deu devido a um forte crescimento econômico à custa de direitos sociais básicos.

Neste contexto, analisamos que direita, esquerda e centro são posições políticas fundamentais para as sociedades democráticas, de modo que a alternância de poder e os diversos projetos dos dois (ou três) lados fizeram na prática o sucesso das maiores e mais importantes nações do planeta, o que se torna ridículo no Brasil quando se enxerga que há de parte da sociedade uma “abominação” de um lado ou de outro, tornando o debate político um poço de xingamentos, muitas vezes pessoais e sem o mínimo de apresentação de projetos e de ideias.

Agora, o que deve ser de fato excluído de todas as sociedades são o comunismo e o fascismo, que se atrelam à esquerda e à direita como cânceres, pois acabam destruindo todas as bases sociais construídas durante séculos. Esperemos que em 2022 seja eleito um governo de esquerda ou de direita, e que haja respeito, debate sério e principalmente execução de projetos para o desenvolvimento econômico e social do país. Precisamos acreditar que há chances ainda de termos um Brasil mais próspero e em favor dos brasileiros.

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