Invasão da Ucrânia: o que é e o que não é. Por Ricardo Alcântara

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Ricardo Alcântara é publicitário e escritor.

Ao planejar a invasão da Ucrânia como resposta ao assédio – continuo e injustificável – da OTAN às suas fronteiras, Putin estava certo sobre seus pressupostos fundamentais:

1 – Maior reserva nuclear do mundo, com 6 mil ogivas instaladas, sua supremacia militar sobre os ucranianos é incontestável.

2 – As tropas da OTAN sob nenhuma hipótese entrarão em território ucraniano porque sabem o custo: um conflito nuclear imediato. A Ucrânia não vale essa missa.

3 – Os negócios comuns de gás e petróleo com a Europa não serão afetados a curto prazo porque a Europa não defenderá a Ucrânia ao custo de uma recessão severa.

4 – Nenhuma reação interna mais forte de segmentos de oposição na sociedade russa sairá de controle político do governo a médio prazo.

Ou seja, todas as condições favoráveis ao êxito da invasão com que Putin convenceu seus generais e oligarcas a agir estão devidamente confirmadas.

(E quem chegou a acreditar em algo muito diferente disso, aprenda: quem confia cegamente na mídia implora por ilusões. Tente a Disney, o dano é menor.)

Mas entre invadir um país e permanecer lá – Iraque, Afeganistão…pergunte aos americanos – há uma outra guerra, bem mais onerosa e difícil de ser vencida.

Pelo que já se viu até aqui, o coração da nação Ucrânia – onde Hitler pereceu – não se verá jamais submetido à ideia de sua dissolução.

Portanto, se o objetivo final de Putin for somente o de impor à Ucrânia um tratado consistente de neutralidade, não está muito longe de obter.

Isso, muito embora o custo total dessa operação não possa ainda ser precificado com exatidão dada a diversidade de passivos agregados.

Mas se, por outro lado, houver em Putin, como alertam seus inimigos, o ideal de anexar o território da Ucrânia à Rússia, aí será uma guerra longa.

Uma Ucrânia anexada jamais lhe dará sossego. Poderá ser temido, mas jamais respeitado. Não haverá paz possível e o desgaste internacional será impagável.

Qualquer coisa fora disso – porque a realidade é sempre mais ampla do que a soma de todas as percepções – merecerá ser chamada de surpresa.

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