Legitimidade democrática e totalitarismo

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O médico Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho (Dr Cabeto) é graduado em Medicina pela UFC, com residência em clínica médica e cardiologia no Incor (SP). Especialista em terapia intensiva e cardiologia, professor da UFC. Idealista e dirigente do ICM – Instituto de Ciências Médicas.

Por Carlos Alberto Martins Rodrigues
Especial para o Focus.jor
Há alguns poucos dias assistimos a intensas discussões nas mídias sociais, nas escolas, nas universidades e em grupos sociais. Ao meu ver, alguns dos questionamentos precisam de uma análise mais ampla. De forma geral todos se dizem democratas e que valorizam as eleições como uma forma de representação legítima da sociedade.
Faço exceção a alguns momentos mais recentes ou de outrora, como na derrota de Aécio em 2014 e a recente declaração de Bolsonaro que não respeitaria as urnas e, no passado, à perseguição implacável de Carlos Lacerda – é oportuno lembrar sua célebre frase “ se ganhar não assume, se assumir não governa”. De tempos em tempos ensaiamos um discurso totalitário. Em certas circunstâncias penso ser parte d’alma!
Também é verdadeiro que a democracia tem suas idiossincrasias, basta lembrar dos conceitos de Breuer, quando trata da não legitimidade óbvia da democracia direta e indireta. Pode e há resquícios evidentes de manipulação das representações, o que dispõe o parlamento na contramão das necessidades de transformação. De forma bem simples, você se acha representado?
Mas, ainda mais curioso, foi assistir uma campanha esdrúxula, desconectada das necessidades mais óbvias para o Brasil atual. Custa-me crer que tenha sido ao acaso, o tempo dirá! Afinal, o Brasil e o mundo têm dono! Parece-me “samba de uma nota só” preparada pelos antigos e atuais donos do poder. Aqueles que insistem em dogmas antigos, em modelos de sociedade imutável, tanto no aspecto econômico como no social.
Para entender esse equívoco basta lembrar a resistência da transição feudal. A Inglaterra, no final do século XVIII já não apoiava a escravidão, mas os direitos reais dos negros aconteceram somente na década de 60 nos EUA. Naquela época, retirar os direitos da aristocracia feudal era um absurdo, mesmo que representassem a minoria da população.
Assistimos a uma campanha que tratou dos direitos da maioria, mas qual ou quais? Referiram-se, ao menos em parte, às escolhas de gênero, dentre outras opiniões. Paradoxalmente, não houveram debates sobre os modelos de desenvolvimento econômico e sustentabilidade, redução de desigualdades, reforma tributária justa, pacto federativo, desoneração fiscal e seus impactos, etc.
Pois bem, a eleição passou e continuo mais uma vez aguardando…Como quem está “esperando o trem para o mês que vem”. E que não seja “Espere alguma coisa mais linda que o mundo/Maior do que o mar, mas prá que sonhar se dá/O desespero de esperar demais”.

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