Não era a economia?

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Rui Martinho é professor da UFC, advogado, bacharel em administração, mestre em sociologia e doutor em história. Com 6 livros publicados e vários artigos acadêmicos na área de história, educação e política. Assina coluna semanal no Focus.jor.

Por Rui Martinho Rodrigues
rui.martinho@terra.com.br
A inflação brasileira alcançou níveis civilizados. Os juros são os mais baixos já vistos por toda uma geração de brasileiros. A economia volta a crescer, sinalizando o fim da recessão em menos tempo do que em Portugal, Grécia, Espanha e outros países que viveram uma crise semelhante. Até o desemprego parou de crescer e começa a declinar mais cedo do que se esperava, por ser sempre a última coisa que se recupera após uma recessão. A lavoura apresenta um volume de produção extraordinariamente elevado, valendo-se mais do aumento de produtividade do que do aumento da área plantada. A balança comercial tem obtido resultados favoráveis, aumentando ainda mais as já expressivas reservas de divisas.
É a economia que determina o humor dos eleitores? Não, todo determinismo é equivocado. A economia é um fator politicamente importante. Não tem, todavia, o poder de influenciar, sozinha, a política. Todos os indicadores econômicos favoráveis não evitam o recorde negativo de popularidade do presidente. A recuperação econômica inevitavelmente é lenta e o eleitorado não compreende isso. A cegueira dos paradigmas faz com que até pessoas letradas e bem informadas achem compreensível que treze anos de governo petista não tenha sido suficiente para equilibrar o endividamento herdado do governo FHC, apesar da economia mundial ter ajudado, mas acham imperdoável que dois anos não sejam suficientes para a recuperação plena da economia brasileira.
As reformas são outro fator importante para a formação da opinião pública ou publicada, como diria Churchill (1874 – 1965), conjunto complexo de variáveis que escapam ao entendimento da maioria dos brasileiros; contraria a ideologia hegemônica; fere poderosos interesses corporativos; necessariamente retira vantagens, pois não se faz ajuste de contas sem dor. As redações ideologizadas das redações da grande mídia, escolas, parte significativa do clero e demais formadores de opinião, não compreendendo ou mentindo deliberadamente, fazem campanha contra a economia ortodoxa, a única que dá resultado. A elite suicida permite que as suas empresas de comunicação ou por ela financiada com os seus anúncios, assim como as escolas onde os seus filhos estudam sejam aparelhadas.
Foi criado, apesar de tudo, o teto de gastos, que talvez não seja possível implantar, devido a situação calamitosa das contas públicas e aos problemas políticos. As reformas administrativa, tributária e previdência não foram feitas. Mas nem um mágico as faria, nas atuais circunstâncias. A corrupção generalizada do mundo político impacta fortemente na popularidade do governo, envolvendo a pessoa do presidente e dos seus colaboradores mais próximos. O Macunaíma está revoltado com as práticas políticas, ainda que a economia apresente melhoras.
 

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