Consolidado o resultado eleitoral do primeiro turno, convido o leitor a me acompanhar em algumas análises específicas. Começo, aqui, a primeira delas: o desempenho exitoso de André Fernandes – que fez campanha de deputado federal como se candidato ao Executivo o fosse, sob o mote “vote em mim que o PT sai“. Seu adversário parecia ser o governador Elmano de Freitas, não os outros candidatos ao Parlamento.
Na sua estreia eleitoral, em 2018, Fernandes (então filiado ao PSL), recebeu 109.742 votos, sendo, ali, o mais votado para a ALECE. Na mesma ocasião, Capitão Wagner, filiado ao PROS, foi o mais votado para federal, com 303.593 votos.
Quatro anos depois, Fernandes (já filiado ao PL), receberia 229.509 votos para federal, ocupando a posição outrora de Wagner, e seu pai, Alcides Fernandes, receberia 79.207 votos, ocupando a distante posição 13a dos mais votados; a primeira ficaria com Carmelo Neto, que recebera 118.603 – portanto, mais do que André, em 2018.
Em 2026, porém, Fernandes se tornou o deputado federal mais votado do Ceará e do Nordeste: foram 684.372 votos, ou seja, 455 mil votos a mais!
Além disso, elegeu, no PL, dois dos “três Andrés” para os quais fez campanha para deputado estadual: Tancredo dos Santos, com 151.396 votos (o mais votado para a ALECE) e Abreu Júnior, com 127.034 votos (o quarto mais votado). O terceiro deles, Davi Vasconcelos, recebeu 21.311 votos e é o primeiro suplente do PL na ALECE.
Se juntarmos os votos dos três (entendendo-os como “votos em André”), tem-se um total de 299.741 votos, ou seja, 220 mil votos a mais que os recebidos por seu pai, em 2022, e 190 mil a mais do que ele mesmo recebeu em 2018.
Seu pai, Alcides Fernandes, recebeu, na disputa para o Senado, 1.776.782 votos – embora derrotado em quarto lugar, foi um bom número.
Assim sendo, além dos votos recebidos por ele e por quem ele apoiou, convém olhar para a votação de seus correligionários, sejam eles os derrotados ou vitoriosos, para vermos como sua expressiva votação, e a de seus aliados, pode ter incidido sobre a votação de outros membros do PL.
Dra Silvana, que vinha em linha ascendente de votos: em 2014, sua primeira eleição vitoriosa, recebeu 41.449 votos; em 2018, recebeu 61.244 votos; em 2022, ocupando a 8a posição geral, recebeu 83.423 votos, sendo a mulher mais votada para a ALECE naquele pleito; em 2026, porém, recebeu apenas 66.473 votos, quase 17 mil a menos que na eleição anterior, passando à 29a posição. Seu marido, Jaziel Pereira, que fora reeleito, em 2026 recebeu 64.870 votos, quase 15 mil a menos do que os 79.358 votos recebidos em 2022.
Os dados sugerem, pois, uma migração de votos do casal para André e seus aliados, uma vez que nem sequer mantiveram os votos obtidos em 2022, na sua totatalidade.

Priscila Costa pode ser o caso mais emblemático: embora seu esposo, Pastor Frota, tenha sido eleito deputado estadual (com , bem menos dos que os 36 mil que ela recebeu, dois anos atrás, para se tornar a vereadora mais votada da história de Fortaleza), ela recebeu 79.358 votos em 2022, mas em 2026 apenas 47.409 votos, quase 32 mil a menos que na eleição anterior.
Sua derrota tem um teor mais significativo ainda: teve embates públicos com o líder do PL, gerando desafeto entre os dois – uma semana antes da eleição, só havia recebido metade do valor do fundo partidário, enquanto outros deputados, inclusive André, já haviam recebido tudo; seu marido nada havia recebido do fundo, sendo seus gastos, até então, custeados por doações privadas.
Uma boa observação será a do exercício do mandato de Frota: mostrar-se-á irrestritamente aliado de André?

Bom, o “Bloquinho do 22” já foi anunciado para este segundo turno. Naquele que contou com a presença de Flávio Bolsonaro, no qual estive, apenas André, Alcides, Flávio e Alfredo Gaspar tiveram direito à fala. Nenhum dos atuais deputados estiveram presentes: era um evento do André para o qual Flávio fora convidado. Os demais parlamentares e candidatos não o foram!
Como será neste segundo turno? Serão convidados?
Muita coisa pode mudar, ou se radicalizar, no interior do PL com a eventual eleição de Flávio. A ver!
Como se vê, os dados nos sugerem que o PL do Ceará está em processo de se tornar um grande “Bloco do 22“, ou seja, um “Bloco do André“, avançando sobre os votos de outros membros do partido em suas empreitadas por reeleição. A gente nova que chega ao partido para exercer mandato são “foliões” do “bloco”.
Pois bem, a Ciência Política nos ajuda a compreender o mecanismo: basta uma leitura da “Sociologia dos Partidos“, de Maurice Duverger. Que tal a leitura?







