O genocídio yanomami. Por Ricardo Alcântara

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Ricardo Alcântara é publicitário e escritor. Foto: Divulgação

A palavra “genocídio”, aprendi hoje, deriva de “gene” (tribo) e Cide (matar). O que aconteceu em Roraima durante o governo de Bolsonaro com os índios yanonamis não está distante disso. Ao contrário.

Ainda deputado, Bolsonaro apresentou um projeto que extinguiria a reserva florestal daquela tribo. No poder, tentou o mesmo pelo meio mais perverso: abandonando-os à própria sorte até a morte.

Naquela ocasião, disse na tribuna do parlamento que a cavalaria americana foi competente em dizimar os nativos e que o Brasil havia fracassado no mesmo intento. Acredite: ele disse. Está nos anais.

A infantaria usada para dizimar os yanomamis foi o garimpo que invadiu suas terras, ilegalidade recebida com a indiferença programada do seu governo – um crime de prevaricação.

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, conta que mandou explodir 83 pistas de pouso clandestinas na Amazônia durante o governo anterior de Lula com o apoio da Polícia Federal.

Repare: 83 em 2008. Hoje, estima-se que há cerca de mil pistas clandestinas – grande parte em reservas indígenas – que, a pretexto de viabilizar o garimpo, atendem também ao narcotráfico.

Sim, o garimpo ilegal na Amazônia é um investimento associado ao crime organizado de exportação das drogas, segundo dezenas de investigações que correm em sigilo na Polícia Federal.

No caso Yanomami, apurações apontam para a evidência de que o governo federal tinha pleno conhecimento do problema e negou-se a cumprir seu dever de assistir a tribo através da Funai, sucateada.

Gene é tribo. Cide é matar. No caso de Roraima, Bolsonaro é um genocida e precisa responder criminalmente por isso. Porque as coisas têm nome.

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