STF no centro da História O julgamento que começa nesta terça-feira no Supremo Tribunal Federal não é apenas um processo jurídico: é um divisor de águas na política brasileira. Pela primeira vez, a Corte analisa um caso de tentativa de golpe de Estado, com um ex-presidente da República no banco dos réus.
O que está em jogo
- Bolsonaro e sete aliados respondem pela acusação de conspirar contra a Constituição para manter o então mandatário no poder após a derrota em 2022.
- A Procuradoria-Geral da República sustenta que houve um plano golpista, travado apenas porque os comandantes do Exército e da Aeronáutica se recusaram a colocar tropas à disposição.
- A delação de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, é peça-chave — e alvo de tentativa de desqualificação pela defesa.
Repercussões imediatas
- Eleitoral: o destino de Bolsonaro no processo terá reflexos diretos sobre quem será o candidato da direita contra Lula em 2026.
- Militar: o julgamento abre precedente inédito para responsabilização penal de integrantes das Forças Armadas por atentado à democracia.
- Institucional: a decisão do STF testará a resiliência do pacto constitucional de 1988 diante de sua maior crise.
Vá mais fundo
O caso coloca frente a frente duas narrativas: a da defesa, que fala em perseguição política e criminalização da direita; e a da acusação, que enxerga o maior ataque à democracia desde 1964.
Mais que definir o futuro de Bolsonaro, o Supremo está prestes a estabelecer os limites do jogo político brasileiro — se ainda cabe qualquer tolerância à aventura autoritária ou se, de agora em diante, a mensagem será de tolerância zero.