O papo reto de Izolda

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Desde o início de abril, quando assumiu o governo do estado (já que Camilo Santana, por imposição legal precisaria renunciar para disputar a vaga de senador), a professora Izolda Cela passou a contar com amplos apoios, explícitos ou sugeridos, para pleitear a oportunidade de conquistar pelo voto um novo mandato.

Não é pouca coisa ser, no Ceará de hoje, a candidata preferencial de Cid Gomes, Camilo Santana, Eunício Oliveira e a unanimidade das lideranças do PT. Em qualquer segmento influente da sociedade civil, a menção de seu nome causa manifestações generalizadas de respeito tanto à sua conduta quanto ao resultado de seu trabalho.

Ao assumir o governo, Izolda fez a coisa certa: deixou que seus apoiadores fizessem seu trabalho de articulação e se dedicou exclusivamente a governar. De caneta na mão ou com um microfone à frente, no papel de executiva fez uma manchete por dia. Deu, pois, a conhecer seus atributos de sobriedade, diálogo e apreço ao interesse comum.

O diferencial precioso de sua pré-candidatura é a capacidade de unir as diversas forças políticas que pretendem integrar a aliança eleitoral liderada pelo PDT. Em tudo o mais, se assemelha aos demais pré-candidatos de seu partido — cada um ao seu modo, nomes com folha de serviços prestados ao Ceará e bem conhecidos da população.

Bem. As notícias dão conta de que Ciro Gomes reuniu-se com os quatro (Evandro, Izolda, Mauro e Roberto) para informá-los de que se fará uma pesquisa de opinião para orientar a escolha de um deles. Vi analistas da mídia levando essa conversa a sério, mas não faço coro com esse faz de conta. Um homem qualificado como Ciro não acredita nessa bobagem.

Os exemplos estão em casa: em 19 de julho de 2012, Roberto Cláudio obteve, numa pesquisa Datafolha, 5% de intenções de votos. Moroni Torgan sobrevoava a planície: 27%. Elmano de Freitas, candidato da prefeita Luizianne Lins, míseros 3%. E o que aconteceu? Roberto Cláudio foi eleito e Elmano de Freitas ficou em segundo. E o Moroni? Pois é.

O mesmo se repetiu há dois anos, quando José Sarto saiu das sombras de uma carreira legislativa para enfrentar — e vencer — um adversário muito popular, Capitão Wagner. Ciro é inteligente o bastante para saber que o critério estabelecido agora poderia ser facilmente interpretado como uma opereta mal dissimulada.

No dia seguinte à noticiada reunião, a governadora usou suas redes sociais para mandar recados inequívocos sobre o assunto: expôs criticamente, com a elegância de seu estilo, a inconsistência do critério adotado (as pesquisas) e firmou a convicção de que manter unido o arco de alianças partidárias é, esta sim, a prioridade que deveria nortear a escolha.

Claro, as razões alegadas lhe favorecem na disputa, mas estão corretas porque as coisas estão assim sobre as pré-candidaturas: é Izolda ou fogo no parquinho (vou desenhar “fogo no parquinho”: o PT se une ao MDB, forma uma chapa própria e puxa o candidato Lula da Silva para dentro da campanha estadual do Ceará — o pior dos mundos para Ciro Gomes).

Quem conhece Izolda sabe: seja qual for o indicado, ela acolherá a decisão e continuará dedicada a concluir seu mandato com os mesmos índices de aprovação com que o recebeu de Camilo. Ela é assim: disciplinada e agregadora. Mas não se espere sangue, suor e lágrimas para sustentar a qualquer custo o destempero de uma aventura. Isso não.

Ricardo Alcântara é publicitário e escritor.

 

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