
A morte de Sônia Souza do Nascimento Braga mobilizou na sexta-feira (13) o PT cearense e expôs, em meio às manifestações de pesar, o tamanho do papel que ela exerceu nos bastidores e na estrutura da legenda no Estado. Fundadora do partido, ex-presidente estadual e ex-secretária nacional de Organização, Sônia era tratada por aliados como um nome de referência na construção do petismo no Ceará.
Diferentemente de quadros projetados sobretudo pela disputa eleitoral, Sônia consolidou espaço na engrenagem interna do partido. Sua trajetória esteve associada à organização da militância, à articulação entre correntes, ao fortalecimento das bases e à conexão do PT com pautas históricas, como agricultura familiar, habitação e lutas populares. Ao longo dos anos, ocupou diferentes funções de direção e se tornou uma das dirigentes mais respeitadas da sigla no Estado.
O peso político de Sônia no PT cearense aparece justamente nessa dimensão menos visível ao grande público, mas central para a vida partidária. Ela integrou a geração que ajudou a erguer o partido no Ceará e permaneceu influente no período em que a legenda deixou de ser uma força de oposição para alcançar o comando do governo estadual e ampliar presença institucional. Sua passagem pela presidência estadual do PT e, depois, pela Secretaria Nacional de Organização simbolizou essa travessia de uma militância de base para o núcleo estratégico da legenda.
As reações de lideranças petistas reforçaram esse retrato. O governador Elmano de Freitas afirmou que a história de Sônia “se confunde com a própria história de luta e construção do Partido dos Trabalhadores no Ceará”, ressaltando o compromisso da dirigente com a militância, a democracia e a construção de um Estado mais justo. A declaração seguiu a linha das homenagens prestadas por dirigentes e filiados, que a apontaram como uma referência de coragem, lealdade e dedicação partidária.
No mesmo tom, o deputado federal José Guimarães, uma das principais lideranças do PT no Ceará, destacou o vínculo político e pessoal construído ao longo dos anos. Segundo ele, Sônia foi uma companheira de caminhada nas disputas da política e da vida, deixando um legado que ultrapassa cargos e funções formais. A leitura dentro do partido é a de que sua influência não se media apenas pela posição ocupada, mas pela capacidade de formar quadros, manter coesão interna e sustentar a identidade petista em diferentes fases da legenda.
A dirigente morreu em Fortaleza, após enfrentar um câncer. A notícia gerou comoção entre lideranças, militantes e movimentos sociais ligados ao PT. Formada em gestão pública, Sônia também teve atuação no Instituto Agropolos do Ceará, ampliando uma trajetória marcada pela combinação entre militância social, organização partidária e presença institucional.
A morte de Sônia Braga recoloca em evidência um tipo de liderança essencial para o funcionamento dos partidos, embora nem sempre visível fora deles. No PT cearense, ela foi esse elo entre origem, militância e permanência – uma dirigente de bastidor que ajudou a sustentar, por décadas, a musculatura política da legenda no Estado.





