Opinião Focus: o caminho é o impeachment, a democracia e um “não” às polarizações

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A sociedade brasileira é plural e democrática.

Editorial Focus
focus@focuspoder.com.br

Os impeachments de Fernando Collor e Dilma Roussef se configuraram em função de um conjunto de motivos no campo da política: com o País mergulhado em crise econômica, cada um dos dois a seu tempo perdeu a popularidade, a governabilidade e, por fim, a maioria congressual.

Se uma parte da sociedade considera o impedimento de Dilma um “golpe” seria honesto que considerasse o afastamento de Collor também um “golpe” da mesma linhagem. O fato é que, para o bem e para o mal, o impeachment parece ter se tornado um mecanismo regulador da política e da institucionalidade brasileira.

Importante lembrar que, mesmo no ápice das crises que capturaram seus mandatos, nenhum dos dois presidentes citados acima se agarrou em campanhas aventureiras que se relacionavam com a quebra da institucionalidade e da democracia.

No caminho contrário, Jair Bolsonaro se comporta como o mau militar uma vez citado pelo ditador Ernesto Geisel. O oficial do Exército que um dia planejou explodir instalações militares agora se prontifica a explodir a democracia brasileira construída a duras penas. Diga-se, longe de ser uma novidade numa trajetória sempre marcada pela radicalidade e sanha autoritária.

Pelas palavras delinquentes de claro cunho golpista proferidas por Bolsonaro neste domingo em Brasília e em São Paulo, não resta outro caminho que não o impeachment. A sobrevivência do sistema democrático, com separação e independência dos poderes, assim impõe.

Claro que as coisas vão piorar muito antes de começarem a melhorar. Temos um presidente que aposta na confusão, mas é pouco inteligente na junção dos fatos. Fala coisas sem muito nexo, como a convocação de um Conselho da República e uma espécie de ultimato para que o STF se livre de um de seus pares.

Em São Paulo, fez uma fala antecipando que não aceitará o resultado das eleições de 2022 (caso seja derrotado, claro). Até sugeriu, remoendo uma pauta superada, que não participará do pleito se mantidas as regras (“Não posso participar de uma farsa”, numa referência ao voto auditável e seguro no computador).

Temos ainda para breve outros eventos de rua puxados pelos opositores do presidente. É dado como certo que as bandeiras vermelhas vão prevalecer caso a carruagem mantenha o atual ritmo. Afinal, é tendência estutural da esquerda protagonizar as manifestações. Portanto, sem um um movimento plural, será mais pimenta no baião de dois que empobrece e desestabiliza a política brasileira.

É como se a nossa democracia estivesse sendo sequestrada pela polarização e submetida a uma espécie de síndrome de Estocolmo que nos quer impor um ou outro lado de uma moeda falsa. Diga-se: os polos antagonistas apostam exatamente nisso. Porém, a faixa da população que não topa nem um e nem outro, que não se dispõe a ser massa de manobra de facções, precisa ter seu lugar reconhecido no debate político nacional.

Essa faixa social é uma maioria que preza os valores da democracia, não se dispõe a passar pano em quarteladas e nem a aplaudir os eternos palanqueiros de plantão. É gente cansada de polarizações e que não mais tolera ações e discursos que buscam dividir o País em grupos de pressão sempre buscando impor suas pautas.

A maioria quer estabilidade, racionalidade e desenvolvimento com a plenitude da democracia em pleno funcionamento, mantidos seus defeitos e qualidades.

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