Perguntaram-me um dia o que faria se fosse entrar na política

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 O médico Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho (Dr Cabeto) é graduado em Medicina pela UFC, com residência em clínica médica e cardiologia no Incor (SP). Especialista em terapia intensiva e cardiologia, professor da UFC. Idealista e dirigente do ICM – Instituto de Ciências Médicas.

Por Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho
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Perguntaram-me certo dia sobre o que faria se fosse entrar na política, como diz a forma popular de expressar a participação direta no processo eleitoral.
Pois bem, lembrei de algumas reflexões e revisões de conceitos, de análises técnicas e empíricas, mas optei por refletir sobre paixão, reconhecendo as contradições que escreveram a nossa historia. A paixão que nos absorve quase por inteiro, embora, muitas vezes, inconsequentemente. A política é o ambiente adequado para extrapolar este sentimento, exacerba ânimos, revoltas, traições e manipulações pouco ortodoxas. Os exemplos vêm de longe, de um tempo quando se eliminava culturas inteiras, conhecimento e vivências de décadas e séculos.
Os tempos mudaram, mas a dualidade humana permanece, oscilando entre avanços e a perversidade. Nos dias atuais falamos em conhecimento como se não houvesse paixão, usando jargões como network, quicknwins, dentre outros valores atribuídos a tal quarta revolução industrial. Faz-nos parecer que tudo é novo! No entanto, na mesma força que nasce, se vai….
De fato, vestir-se de novo já é antigo, numa sociedade líquida, onde se disfarça a superficialidade com conhecimentos transitórios, expostos em cursos de imersão de curta duração, frequentemente utilizados na gestão e na política. Não que seja de todo ruim, mas nem de longe garante uma visão humanística e critica. Pois para tal, é preciso tempo e dedicação. É preciso despretensioso aprendizado.
Assim, o estudo não pode ser dirigido somente como estratégia de poder. O conhecimento é por si só plural, eclético, remete-nos às experiências do passado e ao futuro, quer seja pela intuição ou o método científico. Não há, assim, verdades pré estabelecidas.
De alguma forma, eu não creio na certeza dos pragmáticos, adeptos da tal realpolitik exercida pelos partidos brasileiros, sem nenhuma criatividade.
Os maiores partidos oscilaram no poder, mas não na forma!
Gostaria de assistir ao velho FHC, ao Lula e a todos os caciques fazerem a mea culpa. E não mais uma vez estabelecerem este teatro, que agora assistimos. O teatro que patrocinou a ascensão e a queda da Dilma, o teatro que formulou a ascensão do Temer como estratégia de poder, e que se demonstrou um fracasso. Tudo casuísmo anti-democrático!
Espero sim uma sociedade menos líquida, afeita às mudanças, democrática e acima de tudo solidária.
Enfim, exponho algumas reflexões, como resgatar uma nação com identidade pautada em valores estabelecidos nas nossas necessidades. Urge estabelecer um padrão para o nosso modelo de desenvolvimento, contemplando a diversidade e com foco na redução das desigualdades. Devemos exercitar a preservação dos direitos, sem negligenciar as rupturas necessárias, fazendo distinção entre lei e justiça, ou seja, dispor de sensibilidade e visão para perceber e compreender o fator humano.
Há, no momento, uma transformação nos empregos e nas relações de trabalho, na vida em cidades, no acesso à cultura, na vida compartilhada e na tecnologia como ferramenta de induzir igualdade.
Assim sendo, precisamos conceituar o Estado a serviço das pessoas, mais eficiente, menos preocupado com o controle de seus processos e sim com os resultados.
Há de se desafiar a burocracia!
Estabelecer um pacto verdadeiro que deve ser feito com a sociedade, e não com as instituições.

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