Pesquisa Ibope: o resumo da ópera em 10 atos

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O competente e pedagógico infográfico do Estadão explica parte importante do momento eleitoral.

Por Fábio Campos
A seguir, de uma forma sintética, levanto os pontos que devem ser considerados relevantes na primeira pesquisa presidencial realizada sem que o nome do inelegível Lula fosse apresentado aos pesquisados.
1 – Bolsonaro 22%, Ciro 12%, Marina 12%, Alckmin 9% e Haddad 6%. Aparentemente, são esses cinco que estão na disputa com as melhores e maiores chances de chegar ao segundo turno.
2 – Os eleitores que se dizem dispostos a anular o voto caiu de 28% para 21%. Os indecisos caíram de 9% para 7%. Essa curva permanecerá descendente até o dia da eleição. No entanto, observe-se que nada mais, nada menos que 28% dos eleitores permanecem sem candidato.
3 – O efeito do horário eleitoral nas intenções dos eleitores ainda não foi decisivo. Isso porque a pesquisa foi às ruas entre 1 e 3 de setembro e a propaganda começou dia 31. Portanto, uma baixa exposição. Vale muito mais aqui a campanha desenvolvida pelos candidatos e a exposição no noticiário, incluindo diversas sabatinas nas TVs e rádios.
4 – Os resultados indicam que Ciro Gomes foi o único que cresceu fora da margem de erro, que é de 2%. Deve-se observar com atenção o desempenho de Ciro no Nordeste (veja o gráfico acima preparado pelo jornal O Estado de S.Paulo), que parece ser o maior beneficiário da saída de Lula. Na Região, Ciro saltou de 14% para 20%, o que o torna líder com folga nessa base geográfica. O candidato fará agora esforço especial nos estados nordestinos para se consolidar como o herdeiro da votação de Lula, que detinha cerca de 60% nesse setor.
5 – Alckmin saiu de 7 para 9%. Cresceu na margem de erro, mas muito prejudicado por candidaturas como a de Álvaro Dias, com 9% dos votos na Região Sul e 3% no geral. O crescimento de João Amoedo (de 1 para 3) também travou o tucano. Meirelles saiu de 1 para 2 e também abocanha um eleitor que provavelmente votaria no ex-governador de SP. Somando esse voto que pode ser considerado de centro direita e anti-petista, chega-se a 17% no momento.
6 – Bolsonaro saiu de 20 para 22%. Cresceu na margem de erro, mas há duas notícias ruins para o candidato: sua crescente rejeição (44%) parece sugar-lhe a vitória. Tanto que, no segundo turno, se arrasta para superar Haddad em um ponto e perde com sobras para Ciro, Marina e Alckmin. Ainda há a situação do candidato no Nordeste. Com 15% na Região, é o nordestino que impede o desempenho mais firme. E dificilmente crescerá na Região sem uma base de apoio político forte e tentacular pelo Interior.
7 – Entre os cinco líderes, Marina foi a única que estacionou. Estava com 12, ficou com 12. Sua baixa organização partidária dificulta arrancadas.
8 – Entre os cinco candidatos com índices acima de dois dígitos, não ocorreram surpreendentes mudanças na intenção de voto desde que a campanha foi oficialmente aberta. Na faixa inferior, destaca-se João Amoedo, do Novo, que saiu de 1 para 3%.
9 – Alckmin é o candidato com mais munição para se mover. Seu tempo na TV permite-lhe múltiplas estratégias de acordo com o momento, mesmo com a campanha curta. Seus índices no Sudeste ainda são baixos, mas é muito provável que SP alavanque sua posição no decorrer da campanha.
10 – Depois do Ibope, vem o Datafolha, que vai às ruas no dia 10 (segunda-feira). Os resultados serão divulgados na noite do mesmo dia. É a pesquisa mais quente por já pegar um eleitor influenciado pela propaganda na TV.  Aguardemos.
 
 
 

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