STF inicia julgamento de Bolsonaro e aliados por tentativa de golpe

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O fato: O Supremo Tribunal Federal (STF) começou a julgar na manhã desta terça-feira (24) se o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete denunciados se tornarão réus no caso da tentativa de golpe de Estado. O julgamento ocorre na Primeira Turma da Corte, formada por cinco ministros.

Se a denúncia for aceita, os acusados responderão a uma ação penal, podendo ser condenados ou absolvidos.

O núcleo da denúncia: A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou 34 pessoas no caso, dividindo-as em grupos.

O julgamento de hoje envolve oito integrantes do chamado “núcleo crucial”:

  • Jair Bolsonaro – ex-presidente da República;
  • Walter Braga Netto – ex-ministro da Defesa e ex-candidato a vice-presidente;
  • General Augusto Heleno – ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional;
  • Alexandre Ramagem – ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin);
  • Anderson Torres – ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do DF;
  • Almir Garnier – ex-comandante da Marinha;
  • Paulo Sérgio Nogueira – ex-ministro da Defesa;
  • Mauro Cid – ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e delator do caso.

Como será o julgamento: A sessão começou às 9h30 e deve se estender ao longo do dia, podendo continuar na quarta-feira (26).

O julgamento segue o seguinte rito:

  1. Abertura – Feita pelo ministro Cristiano Zanin, presidente da Turma.
  2. Relatório – Apresentado pelo relator Alexandre de Moraes, que resume as acusações.
  3. Sustentação da PGR – O procurador-geral defende a aceitação da denúncia.
  4. Defesas – Cada advogado tem 15 minutos para argumentar.
  5. Questões preliminares – Moraes analisa pedidos da defesa, como anulação de provas.
  6. Votação – Ministros votam sobre as preliminares.
  7. Voto de mérito – Moraes decide se aceita a denúncia contra os acusados.
  8. Demais votos – Os outros ministros decidem se acompanham Moraes.
  9. Encerramento – Concluída a votação, o julgamento se encerra.

Acusações e penas: A PGR aponta que Bolsonaro liderou uma organização criminosa para desestabilizar a ordem democrática. Segundo a denúncia, o grupo atuou entre julho de 2021 e janeiro de 2023, planejando um golpe de Estado. A acusação também cita a chamada “minuta do golpe”, que detalhava medidas para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva.

Os crimes apontados e suas penas são:

  • Organização criminosa armada – 3 a 8 anos de prisão;
  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito – 4 a 8 anos;
  • Golpe de Estado – 4 a 12 anos;
  • Dano qualificado pela violência e grave ameaça – 6 meses a 3 anos;
  • Deterioração de patrimônio tombado – 1 a 3 anos.

Defesa questiona julgamento: Os advogados de Bolsonaro pediram a anulação da delação de Mauro Cid e o afastamento dos ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Flávio Dino do caso. Além disso, alegam cerceamento de defesa e defendem que o julgamento deveria ocorrer no plenário do STF, e não na Primeira Turma.

O que vem a seguir: Após esta etapa, o STF ainda analisará as denúncias contra outros 26 acusados. O julgamento foi dividido pela PGR para facilitar a análise, e as próximas fases ocorrerão nas próximas semanas.

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