
O governador Elmano de Freitas (PT) anunciou nesta sexta-feira, 29, a intensificação das operações policiais no Ceará, prometendo novas prisões. A frase escolhida — “Vamos pra cima!” — não se reduz a um slogan de ocasião: carrega a simbologia de um governante pressionado a dar respostas imediatas diante de uma crise de segurança que é, ao mesmo tempo, conjuntural e estrutural.
Linha de fundo
A questão da segurança pública ocupa o centro do debate político no Ceará há pelo menos duas décadas. Desde os anos 2000, diferentes governos foram confrontados com a expansão das facções e a percepção social de insegurança. Nas urnas, o tema sempre aparece entre as maiores demandas populares — e tende a se tornar, mais uma vez, eixo decisivo das eleições de 2026.
O que está em jogo
O recrudescimento da violência em bairros como Papicu e Vicente Pinzón, fruto da disputa entre GDE e Comando Vermelho, não apenas aumenta a pressão operacional sobre as forças policiais, mas também cria um ambiente político fértil para narrativas oposicionistas. Ao endurecer o discurso e acompanhar pessoalmente a saída de tropas, Elmano responde duplamente: combate os efeitos da criminalidade e sinaliza ao eleitor que não se esquiva do enfrentamento.
A leitura política
O movimento atual do governador pode ser interpretado sob duas dimensões:
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Segurança como demanda social persistente — a expectativa da população por respostas firmes nunca se esvaziou, e hoje é explorada pela oposição como argumento de desgaste do governo.
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Segurança como ativo eleitoral — ao assumir o protagonismo das operações, Elmano busca não apenas conter a violência, mas também reposicionar-se no debate público que definirá o tabuleiro de 2026.
O ponto
O endurecimento de hoje não é apenas reação circunstancial à escalada de homicídios: é também um gesto estratégico no campo político. A insegurança, convertida em bandeira eleitoral há mais de vinte anos, continua sendo o terreno onde se mede a capacidade de governo — e onde se testam as chances de vitória.