2020 não nos deixou. Por Igor Lucena

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Articulista do Focus, Igor Macedo de Lucena é economista e empresário. Professor do curso de Ciências Econômicas da UniFanor Wyden; Fellow Associate of the Chatham House – the Royal Institute of International Affairs  e Membre Associé du IFRI – Institut Français des Relations Internationales.

O ano de 2021 começou bastante parecido com 2020 já que tomamos conhecimento sobre as declarações a respeito do aumento do número de infecções causadas pelo novo coronavírus e consequentemente do aumento das restrições de mobilidade, do comércio e dos serviços. Para todos os brasileiros, em especial os das grandes cidades, estamos novamente no pesadelo do Lockdown, que se inicia por “15 dias” segundo os decretos estaduais, mas que na prática não se sabe quando irá terminar.

Nesse contexto, algo que é extremamente diferente é a reação dos empresários com essas novas medidas, pois todos sabem que os fechamentos são importantes para a diminuição dos leitos de UTI nas cidades brasileiras, contudo não se consegue mais “enganar” os empregadores e forçá-los a manter seus funcionários sabendo que haverá apenas 15 dias de fechamento nas cidades. Isso é uma mentira dos governantes, estamos vendo um horizonte que pode compreender meses; por conseguinte, os empresários devem nos próximos dias iniciar uma ‘onda de demissões’, pois não há outra forma para manter os funcionários, seja pelo seu próprio faturamento reduzido ou por alocar os empréstimos como o FGI ou o Pronampe para pagar salários quando não há produção alguma.

É neste ponto que se difere o ano de 2021 em relação ao ano de 2020. O nível de endividamento das empresas já se tornou muito elevado, e o prazo de pagamento dos empréstimos emergenciais de 2020 devem começar em breve a ser cobrados. Paralelamente a isso, e baseado na Teoria das Expectativas Racionais, os empresários passam a não investir e nem mesmo contratar sem ter o mínimo de credibilidade dos governos de que a próxima reabertura da economia será definitiva. Esse sentimento dos empresários sobre a incerteza coloca em “xeque” qualquer possibilidade de retomada da economia no primeiro semestre deste ano.

Praticamente todos os programas como Pronampe, FGI, Auxílio Emergencial e o diferimento de impostos devem voltar para ajudar na sobrevivência das empresas, mas o fundamental não existe que é o horizonte de normalidade. No primeiro momento, os empresários se endividaram, pois imaginavam que 2020 iria passar logo, e esse aumento de suas dívidas seria compensado com uma forte retomada. Essa ideia não passou de um sonho e agora o fato de que nossa vacinação ocorre a passos lentos torna essa esperança de retomada cada vez mais distante.

Para que o apoio do Governo Federal às empresas obtenha êxito, é necessário que o programa de vacinação esteja a todo vapor e que exista um horizonte de retomada com grande parte da população vacinada, para que o “fechamento do comércio” se torne uma visão do passado e sem necessidade de ser realizado novamente. Não estou aqui criticando sua efetividade sob o ponto de vista sanitário, mas demostrando como funciona hoje a cabeça de milhões de empresários que precisam de estabilidade e confiabilidade no país para que consigam manter seus negócios ‘vivos’.

Entendamos! Quando falo sobre manter negócios vivos, estou falando em empregar milhões de trabalhadores e pagar bilhões em impostos que indiretamente pagam benefícios sociais, hospitais públicos e serviços de segurança nacional. Portanto, ou realinhamos o pensamento empresarial brasileiro ou 2021 será um ano ainda mais complexo e difícil que 2020.

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