Foco na sustentabilidade. Por Eliardo Vieira

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Eliardo A. L. Vieira
Sócio da Arêa Leão Consultoria Empresarial. Foto: Divulgação

Em uma pesquisa em bibliotecas sobre Enviromental, Social and Governance (ESG), termo em inglês que significa Ambiente, Social e Governança (ASG), encontraremos uma dezena de livros lançados em 2020. Da mesma forma, diversas gestoras de investimento decidiram estruturar fundos de investimento, tendo ativos vinculados à debêntures, green bonds, cédulas bancárias, títulos públicos e ações de empresas, que serão selecionados a partir desses aspectos e com preocupação e ações efetivas sobre o assunto

Mas será tudo isso mais um modismo? Sabemos que os temas green, responsabilidade social, transparência, diversidade e inclusão são assuntos antigos e não tão bem difundidos como parte da estratégia de muitas empresas. Talvez a grande diferença do momento seja a consolidação em uma visão sistematizada, com metodologia e métricas mais claras, divulgadas em relatórios específicos – balanços sociais. Além disso, e talvez principalmente por isso, ESG tem valor financeiro.

Primeiro, porque as companhias que se pautam por essas práticas têm menos chance de terem perdas financeiras não gerenciáveis, de se envolverem em discussões legais tributárias, cíveis, trabalhistas, danos ambientais, fraudes ou corrupção. Segundo, porque a nova geração de consumidores tem uma visão bastante diferente de mundo e consumo, que seus pais e avós. Essa visão passa pela preocupação em saber como uma empresa produz, trata seus funcionários, abate seus animais, colhe seus frutos, que impacto ela causa na sociedade e até mesmo que bandeiras ela levanta, se levanta.

Começam a surgir exemplos concretos de como os pilares de ESG/ASG trazem resultados financeiros para quem os têm adotado de forma estruturada. Recentemente, a brasileira Klabin fez uma emissão de títulos histórica, captando US$ 500 milhões com taxa de retorno de 3,2% – 1% a 2¢ abaixo das captações anteriores – em papéis de dívida atrelados a metas sustentáveis a serem atingidas pela empresa, que atua no setor com alto impacto ambiental. A demanda foi de 10 vezes o volume captado.

Fundos com estas caraterísticas, segundo a Anbima, possuem um patrimônio de R $543 milhões atualmente. Entre julho de 2019 e 2020, essa categoria registrou crescimento de 26%, de acordo com relatório da Exame Research. Ainda segundo este relatório, o BTG lançou recentemente o primeiro fundo de índice (ETF) do Brasil que segue os pilares de ESG, com investimento em 93 empresas brasileiras.

Já no mundo, essa indústria é enorme. Estimativa da Climate Bonds Initiative (CBI) aponta para uma previsão de US $257,5 bilhões em emissões de títulos de dívidas voltados ao ESG, um crescimento de 36% em 2020.

Larry Fink, CEO da BlackRock, uma das maiores gestoras de recursos do mundo, disse em um evento no Banco Central que fatores ligados à ESG serão integrados em todos os investimentos nas próximas décadas.

De maneira pragmática e tentando dar um direcionamento inicial, recomendamos refletir sobre o que temos feito de ações voltadas ao meio ambiente, como uso de energia de fontes renováveis, redução do consumo de água, redução de impacto ambiental, gestão de resíduos, emissões de gases, recuperação da biodiversidade etc.?

O que temos feito de diferente quanto a gestão de relacionamento com o cliente, inovação, infraestrutura, promover a diversidade e o bem estar dos funcionários. Nossa gestão estratégica, relação com fornecedor etc.? Praticamos a equidade, ou seja, o tratamento justo e igualitário de sócios, colaboradores, fornecedores, etc.? Prestamos contas das atividades realizadas de forma clara e tempestiva e temos responsabilidade corporativa, ou seja, zelamos pela viabilidade econômico-financeira da empresa, levando em consideração o capital humano, o meio ambiente, a reputação e a sociedade como um todo?

Se você tiver respostas para algumas dessas questões, talvez seja a hora de pensar em formalizar e aprofundar o tema. Se não tiver, é bom iniciar e dar mais robustez para a sustentabilidade do seu negócio no longo prazo.

Ah! E sobre os livros, recomendo o Values at Work: Sustainable Investing and ESG Reporting, por Daniel C. Esty e Todd Cort. Boa leitura.

 

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