As novas fronteiras do Ceará

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Rômulo Alexandre Soares é dvogado e vice-presidente da Federação das Câmaras de Comercio Exterior

Por Rômulo Alexandre Soares
Post convidado
Acredito no poder transformador do hub aéreo recentemente implantado no aeroporto Pinto Martins, sobretudo porque a localização da cidade de Fortaleza é privilegiada. Quem nunca se apercebeu daqueles traços brancos no céu, riscados pelos aviões vindos da Europa, de passagem para outras cidades mais austrais da nossa América do Sul? Nossa terra é um ponto no meio do caminho. Mas queremos mais do que isso.
A posição geográfica de Fortaleza para a lógica de custos do transporte aéreo que gira em função do tamanho da aeronave e do tempo de voo das tripulações (quanto maiores, mais caros), a transferência do aeroporto para a administração da Fraport e o pacote de incentivos concedidos pelos governos estadual e municipal, devem funcionar.
É verdade que, em face da renúncia fiscal assegurada ao cluster aéreo, não ganharemos muitos impostos diretos com a aviação. Mas também está correto dizer que ampliaremos nossa economia, com outro tipo de ganhos, inclusive fiscais, sobretudo decorrentes da indústria do turismo. Mas para isso, devemos ser mais do que um aeroporto de conexões.
Neste ano que celebramos duas décadas desde que a TAP começou a voar de Lisboa para Fortaleza, posso fazer o prognóstico de que essas novas rotas para várias importantes cidades no exterior, produzirão um grande choque na nossa economia e aprofundamento de sua internacionalização. Se, em 1998, tínhamos pouco mais de 200 empresas no Ceará com capitais estrangeiros, hoje temos cerca de 5.000. Quantas teremos daqui a 10 anos?
Mas se o aeroporto aproxima Fortaleza a várias importantes cidades da Europa, África e América do Norte, os portos do Pecém e Mucuripe deverão complementar esse processo de inserção global. Se por um lado, os aviões atraem investimento externo direto, por outro, os navios promovem nossas exportações.
Escrevi noutro dia que o Ceará pode assumir um papel de liderança brasileira também no aproveitamento da economia do mar, graças também às vantagens geográficas. Entretanto, também escrevi que aproveitá-las exigirá disciplina e uma agenda pública e privada concertada pelo menos para os próximos 5 anos.
Uma dessas agendas é certamente associada à indústria do turismo – que possui forte impacto na geração de emprego e distribuição de renda – visando aumentar a nossa irrisória participação no turismo mundial, que contabiliza cerca de 1,3 bilhões de turistas ano.
Para além do aeroporto, o Ceará terá nos próximos meses, finalmente, uma estrutura completa para recepção dos turistas que vêm pelo mar e escalam no porto do Mucuripe: um dos terminais mais modernos do Brasil e um pier prioritário para cruzeiros. Mas além da conclusão das obras de dragagem que serão iniciadas nas próximas semanas, ainda faltam três providências estratégicas.
A primeira é atrair as cias de navegação para que Fortaleza passe a ser também um ponto de embarque e desembarque final, permitindo que o setor hoteleiro tire também proveito dessa atividade. Para isso, é vital ofertar serviços adequados de imigração e alfandega no Mucuripe.
A segunda, é executar a quase inexistente ligação viária entre o terminal de passageiros e a Av. Vicente de Castro. É urgente que a prefeitura ou o Estado – o que tiver condições de fazer mais rápido e melhor – realize essa obra, revitalize o farol do Mucuripe – aquele monumento histórico que está ostentado na bandeira do Estado do Ceará – e ordene o trafego de veículos pesados naquela região.
Por fim – e para alguns o mais urgente – o terminal de passageiros seja concedido à iniciativa privada e cuja iniciativa está engavetada nas mãos do governo federal.
Até hoje, os quase 30 mil turistas anuais que desembarcam em Fortaleza no Porto do Mucuripe vieram para passar aqui menos de 8 horas. Além de comprar artesanato e provar a gastronomia cearense, nossa economia pouco ganha com esse turista que, segundo dados da Cruise Lines International Association – CLIA BRASIL, gasta R$ 559,80 por dia.
Ganharemos mais quando se combinar o turismo aéreo e marítimo, porque o Ceará de oportunidades se expande pelo ar e pelo mar.
 

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