Quem vem lá III

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Rui Martinho é professor da UFC, advogado, bacharel em administração, mestre em sociologia e doutor em história. Com 6 livros publicados e vários artigos acadêmicos na área de história, educação e política. Assina coluna semanal no Focus.jor.

Por Rui Martinho Rodrigues
rui.martinho@terra.com.br
O arauto da comitiva de Vargas, na campanha de 1930, recebia o candidato indagando: quem vem lá? Dirigindo o foco das nossas atenções para os pequenos candidatos deste ano, examinemos hoje dois nomes de posições distintas no espectro político. João Dionísio Figueiredo Barreto Amoêdo e Manuela d’Ávila, respectivamente do Partido Novo e do PC do B.
João Amoêdo, liberal, 55 anos, dado a prática de esportes, engenheiro e administrador de empresas, empresário com experiência no setor financeiro, na imprensa, na militância de movimentos políticos. Liberal, defende políticas sociais, como o bolsa família, desde que promovam a autonomia dos seus beneficiários; um Estado do tamanho mínimo necessário para que seja eficiente; liberdades individuais; e o fim da impunidade.
Manuela d’Ávila, 36 anos, deputada estadual do Rio Grande do Sul, foi deputada federal por duas vezes, vereadora em Porto Alegre também duas vezes, tentou sem sucesso duas vezes eleger-se prefeita da capital gaúcha. Militante do PC do B, defende o Estado desenvolvimentista, promete incentivar a retomada do crescimento, a industrialização, o redistributivismo, mais direitos para o povo e democratizar o Estado.
Ambas as candidaturas apresentam-se como renovação. Manuela, desconhecida fora do Rio Grande do Sul, parece renovação, tendo dois mandatos de vereadora, dois de deputada federal e estando no exercício de um mandato de deputada estadual é integrante da classe política. O seu currículo divulgado só menciona atividade política. Tem 36 anos e a soma dos seus diversos mandatos totaliza quase 20 anos. Deve haver alguma explicação para isso, pois subtraindo-se 20 anos de mandato dos 36 anos de idade de dela, restariam 16 anos para ela ter iniciado a carreira política.
O PC do B é o partido mais antigo dentre todos os que participam do certame eleitoral. Foi auxiliar do PT desde as eleições de 1989. A agremiação não é renovação e só herdará as vantagens da antiga aliança com o PT, como a ampla distribuição de diretórios pelo Brasil e tempo de televisão, se o PT não tiver candidato próprio nem apoiar outra candidatura. Mas herdará o desgaste do petismo em razão dos escândalos, precisará explicar o silêncio e o apoio dado lulopetismo durante tantos anos. Amoêdo tem um currículo brilhante como estudante e profissional. Não tem experiência parlamentar, realmente não pertence à classe política. Tem, todavia, vivência nos movimentos políticos. O Novo é um partido realente novo.
Ambas as candidaturas são de partidos pequenos, têm pouco tempo, na curta campanha, para que o Brasil os conheça. Representam parcelas do espectro político claras e distintas. A representante do Partido Comunista do Brasil, que já elogiou o socialismo real da experiência totalitária e ineficiente albanesa, se insere na ideologia hegemônica, que soube se impor nas escolas e sindicatos; aparelhou a sociedade civil e as redações dos meios de comunicação (debaixo do nariz dos empresários do setor e dos anunciantes). Mas sofreu o desgaste de haver deixado de ser estilingue para ser vidraça, instalando-se no governo e tendo de enfrentar realidades que o discurso de oposição não precisa solucionar. Leva a desvantagem de ter conquistado o domínio ideológico sem declarar a própria identidade. Assim, a maioria dos brasileiros concorda com as promessas do socialismo e do comunismo, afinal, quem pode ser contra a igualdade e o bem-estar? Mas não associa tais coisas ao socialismo e ao comunismo, embora o tenha associado ao mal definido “esquerdismo”. Agora, porém, os seguidores das propostas “do bem” querem saber se elas são viáveis.
Ambas são altamente improváveis, mas o futuro é imprevisível.
 

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