Seu prontuário médico pode valer ouro

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Yuri Kaminski é diretor de crescimento na Clínica SiM, engenheiro de formação, possui certificação em Inovação e Empreendedorismo pela Universidade de Stanford e já atuou como consultor estratégico em grandes consultorias internacionais como EY e Mckinsey & Company.

Por Yuri Kaminski
Post convidado

Enquanto assistimos numerosos IPOs (Initial Public Offerings – ou aberturas de capital na Bolsa) de empresas da área de saúde no Brasil é interessante observar as movimentações das gigantes de tecnologia, também lembradas no mundo dos fundos de investimento pelo acróstico FAGA (Facebook, Apple, Google, Amazon). Elas têm o poder de mudar completamente o foco e a abordagem das empresas “tradicionais” de saúde tais como operadoras, laboratórios e farmacêuticas.
Para viabilizar todos os tipos de projeto, sejam de alto ou baixo risco, o grande desafio que deve ser superado é a inflação da saúde. A elevação dos custos de materiais e serviços médicos e hospitalares é muito mais alta que a inflação geral, e este é um fenômeno global. Sendo assim, a forma mais eficiente de reduzir custos de saúde é evitar que as pessoas fiquem doentes, ou reduzir os danos causados por essas doenças.
Para prever eventos baseados em dados históricos, geralmente, heterogêneos e incompletos, não podemos deixar de falar de inteligência artificial. Em uma primeira análise, todas as gigantes de tecnologia se encontrariam em pé de igualdade. Entretanto um olhar atualizado traz mudanças recentes nas posições da corrida pelo mercado de saúde. Para criar um sistema que preveja como e quando alguém vai desenvolver determinada enfermidade, temos que ter dois conjuntos de dados: uma “foto” dos diagnósticos dos atuais pacientes acometidos por essas doenças e outra dos seus hábitos, comportamentos e dados de saúde anteriores ao diagnóstico. Talvez hoje, essas gigantes consigam reunir a primeira parte da informação, mas para implementarem um modelo confiável de previsão de diagnósticos, devem incorporar ao seus atuais servidores, os prontuários médicos, pelo menos de parte dos seus milhões de usuários.
Nos próximos anos, cada uma dessas empresas irá explorar seu poderio econômico, suas forças e vantagens competitivas visando se aproximar ao máximo do usuário final, ganhando sua confiança para obter esses dados tão preciosos e fechar a equação que pode destravar um mercado de 3 Trilhões de dólares (só nos EUA), e deslocar o oligopólio das tradicionais operadoras de saúde em favor das gigantes de tecnologia.
 
 

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