Com desmate recorde, Amazônia supera mil km2 de destruição em abril pela 1ª vez

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Foto: Reprodução

Equipe Focus
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O desmatamento na Amazônia bateu novo recorde. Pela primeira vez, a área derrubada da floresta ficou acima de mil quilômetros quadrados em abril, segundo dados de alertas do sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), órgão ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia. Ao todo, foram 1.012 quilômetros quadrados perdidos, número 74% maior do que o recorde anterior para o mês (580 km quadrados, atingidos em abril do ano passado). Na gestão Jair Bolsonaro, houve uma escalada na destruição do bioma, o que tem motivado críticas ao governo no Brasil e no exterior.

O valor da perda deve ser ainda maior, uma vez que os dados do Inpe são para 29 dias do mês. O resultado final deve sair na próxima semana. Abril ainda é um mês chuvoso, o que chama ainda mais atenção para o avanço do desmatamento. Comparado à série histórica dos meses de abril, a área desmatada é 165% maior. Desde agosto do ano passado, os alertas de desmate vêm batendo recordes: em outubro, janeiro, fevereiro e agora em abril.

Além de esvaziar os órgãos de fiscalização ambiental, a gestão Bolsonaro também tem reivindicado abrir a floresta para a exploração econômica, como em sua defesa do garimpo em áreas protegidas, como terras indígenas.

Falta de fiscalização

Para a secretária executiva do Observatório do Código Florestal, Roberta Del Giudice, os dados mostram o impacto da falta de fiscalização. “Se houvesse expectativa de punição pelo descumprimento da lei, certamente não estaríamos vendo a destruição da floresta para abertura de novas áreas para lavoura e pecuária. A expectativa de impunidade é um vetor crucial de destruição da Amazônia que pode ser revertido, pois temos a legislação para todos. É preciso que a lei seja cumprida.”, diz ela.

“As causas desse recorde têm nome e sobrenome: Jair Messias Bolsonaro”, critica Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima. “O próximo presidente terá uma dificuldade extrema de reverter esse quadro, porque o crime nunca esteve tão à vontade na região como agora”, afirma.

“O contexto forma uma tempestade perfeita”, diz Raul Valle, diretor de Justiça Socioambiental do WWF-Brasil. “Internamente, temos três anos de impunidade, com redução das ações de controle, fiscalização e autuação, agravados em 2021 por um discurso ainda mais permissivo por causa da temporada eleitoral. E, com a guerra, a escassez de produtos aumenta o valor das commodities e vigora a falsa ideia de que é necessário desmatar mais para produzir mais, o que é um equívoco”, acrescenta.

Agência Estado

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