Ceara Pacífico? Tem certeza?

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Leandro Vasques é Advogado Criminal, Mestre em Direito pela UFPE, Professor da Pós Graduação em Direito Penal da UNIFOR e Conselheiro da Escola Superior da Advocacia – ENA.

Por Leandro Vasques
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O cenário apocalíptico que tem causado essa hemorragia de violência no Estado do Ceará se descortinou a partir do instante em que o governo, de forma imperdoável, sonegou da população que o crime organizado já estava cristalizado no Ceará. Do ano passado até hoje já tivemos o record de todos os tempos sobre o crime de homicídio: 5.134, e ate o dia em que escrevo esse texto já passamos de 3.100 homicídios
A população cearense também testemunhou lívida as facções promovendo um verdadeiro êxodo urbano, expulsando famílias da periferia de suas próprias moradias. Também se viu facções chantageando o Poder Judiciario ao exigir a transferência de presos, grupos criminosos invadindo fóruns do interior em busca de armamento.
Enquanto o governo covardemente ocultava do povo a informação acerca da presença do crime organizado no Ceará, constatou-se que uma especifica facção criminosa já atua há pelo menos 6 anos em nosso Estado, desfilando em valiosos carros de luxo e residindo nos endereços mais nobres, “debaixo da barba” da desestruturada Inteligencia Policial. As facções criminosas estão departamentalizadas nas unidades prisionais, como em bankers, atuando em home-office
A classe média se desfez de suas casas de praia e sítios e se sacrifica em blindar seus carros. As pessoas transformaram suas rotinas, vivem numa paranoia. O mercado imobiliário, hoteleiro e a economia já acusam o golpe dos efeitos da violência urbana. Tivemos no início de 2018 a maior chacina da história do Estado do Ceara com 14 mortos de uma so vez, quase todas de pessoas sem qualquer antecedente criminal, outras chacinas se suscederam em Itapaje e Pentecostes e agora três policiais são alvos de um massacre
Nesse ano foram localizados os corpos de três jovens que foram torturadas e decapitadas no Mangue do Vila Velha. No bairro Benfica, 07 jovens foram impiedosamente abatidos enquanto desfrutavam de momentos de raro lazer.
Pasmem, leitores, mas dados da própria Secretaria de Planejamento do Estado apontam para o investimento em zero reais para a rubrica de “inteligência policial”.
Nos últimos dias o Estado volta a ser alvo de atentados e a população eleva sua tensão ainda mais. Enquanto isso o paquidérmico Estado do Ceará insiste teimosamente no natimorto projeto “Ceará Pacífico”. Um plano concebido em conjunto com um instituto paulista e que custou quase 2 milhões de reais, embalado por uma curiosa dispensa de licitação. Pelo visto, o projeto sucumbiu, quedou-se inútil. *Diagnóstico errado levou o governo a um investimento também equivocado em segurança.
Para ficar apenas num exemplo, o Estado contratou 5 vezes mais policiais militares que policiais civis, ignorando que é a polícia civil a responsável pela investigação criminal.
O governo se distanciou das academias, as menoscabando, desprezou colaboradores, como o Conselho Estadual de Segurança Publica, órgão vinculado ao próprio gabinete do governador e que peleja desde 2015 ser recebido numa mera audiência. Por outro lado o governo apequena e atrofia a discussão ao tentar (sem conseguir) colar a ideia de que quem o critica é oportunista em razão do ano eleitoral, quando devia era explicar porque dispensou uma licitação milionária para contratar pessoas de fora do Estado, sem nenhuma intimidade com as peculiaridades locais, para desenhar um plano de segurança que só fez majorar os índices de violência. O governo também nunca respondeu aos ofícios do Conselho Estadual de Segurança Publica que não só implorava por reuniões mas que também apresentaram mais de 50 propostas de combate à criminalidade.
Admitir o erro é o primeiro passo para se corrigir os rumos, pena que Camilo é orbitado por vários satélites de bajuladores que passam o dia a elogiar a moldura dada à segurança. O rei está nu. O projeto Ceará Pacífico é um embuste. Alguém precisa dar uma bússola ao governador, pois estamos perdidos.
Leandro Vasques
Advogado Criminal, Mestre em Direito pela UFPE, Professor da Pos Graduação em Direito Penal da UNIFOR e Conselheiro da Escola Superior da Advocacia – ENA.

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