Tebet: Não consultei presidente Lula sobre empréstimo do CAF à Argentina

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Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A ministra do Planejamento, Simone Tebet, afirmou que ela não consultou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tomar a decisão de votar favoravelmente a um empréstimo de US$ 1 bilhão feito pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF) à Argentina.

Ela foi questionada sobre o empréstimo ao País vizinho pelo deputado Vicentinho Junior, durante audiência pública na Comissão Mista de Orçamento para discussão do Plano Plurianual (PPA).

“Acordei surpresa. Não é que eu não fui consultada, eu que não consultei o presidente Lula. O presidente Lula não me ligou, não entrou em contato comigo, porque é natural: eu sou governadora desse banco”, respondeu a ministra. Ela ressaltou que o Brasil tem participação no CAF e que a instituição se reúne como um banco para ajudar os países da América Latina, incluindo o Brasil, seus Estados e municípios.

Tebet relatou que houve uma demanda por um empréstimo de US$ 1 bilhão para a Argentina por um período de dez dias, pedido que foi votado por 21 países. “Minha secretária, por minha determinação, foi autorizada a votar favoravelmente, como 20 de 21 países votaram favoravelmente. Todos os países que fazem parte do CAF, esse banco que não é nosso, não tem dinheiro federal, e foi aprovado (o pedido de empréstimo)”, afirmou.

A ministra ressaltou que a Argentina já quitou o empréstimo e não deve nada ao CAF. Ela ainda justificou que pesou para a decisão do Brasil ao aprovar o empréstimo o fato de a Argentina ser o terceiro maior parceiro comercial do País e que, sim, há uma preocupação com a situação do país vizinho. “Esse processo é comum. Sou governadora de alguns bancos, temos processos e pedidos diários, como nós pedimos também. Não é nada incomum, é muito natural”, reiterou.

Mais cedo, a Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência divulgou nota para dizer que a operação teve como único objetivo “ajudar o país com escassez de reservas”. A informação sobre o empréstimo-ponte concedido à Argentina para que o Fundo Monetário Internacional (FMI) pudesse liberar um desembolso de US$ 7,5 bilhões ao país vizinho foi revelada pelo Estadão. O Brasil agiu porque, a rigor, o país vizinho não poderia mais ter acesso aos recursos, uma vez que já havia esgotado o limite de crédito.

A nota da Secom diz que “diferentemente do que vem sendo repercutido” (pela imprensa), o empréstimo não teve intervenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O comunicado afirma, ainda, que Lula não conversou sobre o empréstimo com a ministra do Planejamento, Simone Tebet. Segundo revelou a colunista Vera Rosa, Tebet deu o aval à operação após pedido do presidente.

Agência Estado

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