
O fato: A Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic) prevê que o preço do café continuará subindo nas próximas semanas, pelo menos até a colheita da safra deste ano, prevista para abril ou maio. Eventos climáticos extremos, aumento do consumo global e a entrada da China como novo mercado consumidor são os principais fatores que pressionam os preços.
Impacto no mercado: A Abic estima que os preços se manterão elevados pelos próximos dois ou três meses, antes de uma possível estabilização. Uma queda expressiva nos valores, porém, só deve ocorrer a partir da safra de 2026. O Brasil, maior exportador mundial de café, já vinha registrando alta nos preços desde novembro do ano passado. Atualmente, o país responde por quase 40% da produção global, seguido pelo Vietnã (17%) e Colômbia.
Crise climática e produção: Nos últimos anos, a produção brasileira de café sofreu impactos climáticos severos. Após um recorde de safra em 2020, o setor enfrentou problemas consecutivos:
•2021: geada dizimou 20% da produção de arábica;
•2022: safra ainda não havia se recuperado dos danos anteriores;
•2023: efeitos do El Niño trouxeram estiagem e temperaturas elevadas;
•2024: La Niña provocou excesso de chuvas.
O presidente da Abic, Pavel Cardoso, alerta que a safra deste ano será ligeiramente menor que a de 2023, agravando a oferta reduzida.
Efeito no bolso do consumidor: O cenário de baixa produção e alta demanda levou a um aumento acumulado de 224% no custo da matéria-prima. A indústria já repassou parte desse impacto, resultando em um aumento de 110% no preço do café no varejo nos últimos quatro anos. Somente no último ano, o café torrado e moído subiu 37,4%, bem acima da média da cesta básica (2,7%).
Na Bolsa de Nova York, os contratos futuros de café arábica bateram recordes, chegando a US$ 3,97 por libra-peso. “A escalada dos preços vai parar em algum momento, mas ainda não sabemos quando”, afirma Cardoso.
Perspectivas para o setor: A Abic aposta na safra deste ano para uma leve estabilização do mercado. No entanto, a expectativa maior está na safra de 2026, que pode superar o recorde de 2020 e trazer uma redução nos preços. Até lá, o consumidor ainda deve sentir no bolso os impactos da alta dos custos na indústria.
O consumo de café no Brasil cresceu 1,11% entre novembro de 2023 e outubro de 2024. O país segue como o segundo maior consumidor mundial, atrás apenas dos Estados Unidos. Em 2024, os brasileiros consumiram 21,9 milhões de sacas, o equivalente a uma média de 1.430 xícaras de café por pessoa ao ano.