O poder e a narrativa; Por Paulo Elpídio de Menezes Neto

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Quem quis, sempre pôde, Camões

O esforço para unir o poder e a soberania, raramente dá certo, e por tempo muito curto, Einstein

Na guerra, quanto na política, a versão que se impõe é, no primeiro caso, a do vencedor. Na política, o poder, associado ao controle do Estado, produz uma narrativa “construída” com reforço da ideologia, das metáforas e da retórica mais convincente.

Outras fontes de poder e influência, com as suas narrativas autônomas, organizaram-se na sociedade.

Associações de classe, sindicatos, corporações, partidos políticos — e a mídia detêm enorme capacidade de persuasão no plano das demandas políticas e sociais.

As redes sociais, fenômeno recente no mundo da informação e da formação de opinião, são espaços nos quais se produzem os contrapontos, nem sempre cordiais, sobre questões políticas de maior relevo, em confronto armado por ideologias, no mais das vezes, radicais.

Em meio a tantas e tão variadas divergências, as narrativas se atropelam e perdem a credibilidade. Mais grave, suscitam a intenção para que sejam submetidas a um processo de acompanhamento e “checagem”, espécie de atestado de validade da verdade que possam supostamente dissimular.

Tais controles, institucionalizados segundo referências constitucionais estritas, ameaçam a integridade dos valores de liberdade no quadro da democracia. Ao povo retirar-se-iam, com esses mecanismos autoritários, os atributos da soberania que lhe confere a democracia em um Estado de direito legitimamente reconhecido.

Paulo Elpídio de Menezes Neto é articulista do Focus, cientista político, membro da Academia Brasileira de Educação (Rio de Janeiro), ex-reitor da UFC, ex-secretário nacional da Educação superior do MEC, ex-secretário de Educação do Ceará.

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