
Smart Brevity: O Grupo Marquise amplia sua atuação em infraestrutura ambiental com o EcoHub Sol Nascente, na Região Metropolitana de Fortaleza. O complexo transforma resíduos em água de reúso, energia e novos insumos, enquanto reforça a estratégia de expansão da companhia e evidencia o desafio do Ceará para universalizar a destinação adequada dos resíduos sólidos.
O Grupo Marquise consolida sua posição entre os maiores operadores ambientais do Brasil com a expansão do EcoHub Sol Nascente, complexo de tratamento de resíduos localizado na Região Metropolitana de Fortaleza. Mais do que um aterro sanitário, o empreendimento foi concebido para transformar resíduos em ativos ambientais, incorporando tecnologias de reaproveitamento de água, produção de energia e economia circular.
Instalado em uma área de 163 hectares, o EcoHub atende atualmente os municípios de Aquiraz, Eusébio e Guaiúba e negocia a incorporação de novas cidades. A proposta é funcionar como um centro regional de gestão integrada de resíduos, reduzindo a dependência de lixões e ampliando a escala dos serviços ambientais.
“Cada novo território em que passamos a atuar confirma a premissa que orienta a nossa expansão: soluções ambientais duradouras são ancoradas em capacidade técnica, escala operacional e investimento consistente. É o que nos permite converter um passivo em ativo ambiental.”
Carla Pontes, CEO do Grupo Marquise
Da destinação ao reaproveitamento
O complexo reúne tecnologias consideradas de ponta para o setor. Entre elas, sistemas de impermeabilização do solo, monitoramento ambiental permanente e tratamento de chorume por osmose reversa, processo que permite devolver água de reúso ao ciclo produtivo.
A estrutura também prevê projetos de produção de biometano e uma planta de compostagem, ampliando o aproveitamento econômico dos resíduos e reduzindo impactos ambientais.
O desafio continua
Os avanços ocorrem em um cenário ainda marcado por grandes déficits na gestão de resíduos.
Segundo o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2025, o país gerou 81,6 milhões de toneladas de resíduos urbanos em 2024. Mesmo assim, cerca de 34% desse volume ainda teve como destino lixões ou aterros controlados, considerados inadequados do ponto de vista ambiental.
No Nordeste, a situação é ainda mais desafiadora. A região responde por 24,7% dos resíduos produzidos no país, mas coleta apenas cerca de 83% desse total — índice inferior ao registrado nas demais regiões brasileiras.
Retrato do Ceará
No Ceará, o desafio é ainda mais evidente.
Levantamento da Secretaria das Cidades mostra que, em 2025, apenas 34 dos 184 municípios (18,48%) possuíam destinação final ambientalmente adequada para seus resíduos.
Embora aproximadamente 43% da população cearense já seja atendida por sistemas adequados, a cobertura permanece concentrada nas regiões metropolitanas e polos urbanos atendidos pelos sete aterros sanitários licenciados existentes no Estado.
Sustentabilidade econômica
Para o diretor-presidente da Marquise Ambiental, Hugo Nery, o principal obstáculo para eliminar definitivamente os lixões deixou de ser tecnológico.
“Mais do que um problema ambiental, trata-se de um entrave ao desenvolvimento. Sem um modelo financeiramente sustentável, o país continuará incapaz de dar destinação adequada aos milhões de toneladas de resíduos que produz.”
O executivo defende que operadores especializados são fundamentais para preencher a distância entre as exigências legais e a capacidade de execução dos municípios.
“Tirar o lixão do mapa de uma cidade não é apenas uma obra ambiental. É uma decisão de gestão que protege o orçamento público e a saúde da população ao mesmo tempo.”
A força da operação
Com mais de 40 anos de atuação, a Marquise Ambiental atende cerca de 22 milhões de pessoas, coleta aproximadamente 13 milhões de toneladas de resíduos por ano e trata 3,6 milhões de toneladas anuais em dez cidades brasileiras.
No Ceará, a empresa também integra a GNR Fortaleza, em parceria com a MDC, considerada a maior planta de biometano das regiões Norte e Nordeste.
Por que importa
O EcoHub Sol Nascente simboliza uma mudança de paradigma na gestão dos resíduos sólidos. Em vez de simplesmente destinar lixo para aterros, o modelo busca transformar resíduos em recursos, combinando saneamento, geração de energia, reaproveitamento de água e economia circular — um caminho apontado como essencial para acelerar o encerramento dos lixões e ampliar a infraestrutura ambiental no Ceará.






